10 de julho de 2026
Nacional

PFL mantém candidatura em disputa esvaziada no Senado

Por Gabriela Guerreiro | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - Enquanto na Câmara dos Deputados a disputa pela presidência movimenta os deputados em pleno recesso parlamentar, no Senado Federal os dois candidatos que desejam presidir a Casa Legislativa realizam apenas discretas articulações nos bastidores. O senador José Agripino Maia (PFL-RN), candidato da oposição, está no Exterior desde as festividades de fim de ano.

O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) passou a semana em Brasília descansando em sua residência oficial sem encontros políticos oficiais para articular sua reeleição. O clima é de tranqüilidade entre os aliados de Renan, confiantes na vitória do peemedebista. A posse de senadores suplentes mudou a composição de forças na Casa.

O PMDB passou a ter a maior bancada, com 20 senadores, e superou o PFL, com quem disputava a liderança. As duas legendas saíram das eleições em outubro com 18 parlamentares cada.

De lá para cá, no entanto, o PFL perdeu um representante e agora terá uma bancada com 17 nomes.

Os números beneficiam Renan, já que tradicionalmente os senadores escolhem como presidente um membro da maior bancada. Os pefelistas, no entanto, argumentam que o critério deve ser o da maior bancada eleita - e não conquistada após as tradicionais mudanças de partido entre os parlamentares.

Mesmo no Exterior, Agripino garante que vem mantendo contatos telefônicos com senadores em busca de votos. O senador disse à reportagem que está confiante na vitória. “Eu tive só notícias boas. Acho que dá para ganhar. Essa versão de que desistiria da minha candidatura chegou a ser comentada por alguns setores. Mas há menos que mude o quadro, não há possibilidade de eu renunciar à minha candidatura”, disse o senador.

Câmara

A estratégia de Agripino é desvincular sua candidatura da disputa na Câmara, onde o petista Arlindo Chinaglia (SP) ganhou força depois de conquistar o apoio das bancadas do PMDB e do PSDB. Aliados de Renan alegam que o PMDB, ao abrir mão de presidir a Câmara mesmo tendo a maior bancada eleita, vai brigar pelo direito de estar no comando do Senado - argumento que Agripino contesta.

“A realidade da Câmara é uma, aqui é outra. As realidades são diferentes. A perspectiva da oposição aqui no Senado é da vitória”, afirmou. O senador criticou a decisão do PSDB de apoiar Chinaglia na Câmara.

No Senado, os tucanos já anunciaram apoio ao nome de Agripino. “A oposição deveria seguir na Câmara o que foi feito no Senado. A Câmara deve ter posição uniforme. Eu lamento a decisão do PSDB, eu preferia que tivéssemos uma candidatura única”, afirmou.

A estratégia de Agripino é buscar apoio de partidos “nanicos” que, na próxima legislatura, terão diversos representantes na Casa -além de esperar a adesão total do PSDB. O que pesa contra Agripino é a possibilidade do apoio integral da base aliada do governo à candidatura de Renan com a decisão do PMDB de abrir mão da presidência da Câmara.