08 de julho de 2026
Nacional

Parentes tentam manter esperanças

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - Como uma mãe que conversa com o bebê ainda na barriga, Augusta Maria de Carmo Leite, 63 anos, passou boa parte do dia de ontem debruçada na cratera do metrô falando com o filho. Mãe do motorista Reinaldo Aparecido Leite, 40 anos, que estava na van soterrada na cratera do metrô, sua certeza era de que ele estava bem, e ouvindo suas preces.

A mesma certeza tinham os cerca de 30 parentes de possíveis vítimas do acidente. Aglomerados na beira do buraco, eles tentavam manter a fé. “Cada minuto que passa é um pedacinho de chance de vida que se vai”, dizia a irmã de Reinaldo, Marli Leite, 39 anos. “Mas minha mãe representa a esperança de todos nós, ela é uma fortaleza.”

Durante todo o dia de ontem, os familiares se mantiveram confiantes, mas sofreram alegrias e desilusões a cada boato que surgia. Pela manhã, o clima era de otimismo, já que a informação de que a van havia sido encontrada foi confirmada. “Agora sei que meu marido está a salvo”, dizia Thaís Ferreira Gomes, 20 anos, mulher do cobrador Wescley Adriano da Silva, que também estaria na van.

Grávida de oito meses, ela permanecia incansável e, em alguns momentos, até com um sorriso no rosto. “O bebê não pára de chutar, estamos felizes porque o Wescley será resgatado hoje.”

No começo da tarde, por volta das 13h, um boato de que teriam encontrado oito corpos sem vida na cratera levou as famílias ao desespero. Em seguida, chegou a confirmação de que era apenas um boato.

Demora

Na beira da cratera, parentes e amigos fazem orações. “A gente vê os homens trabalhando, mas parece que nada acontece. É difícil entender tanta demora. A sensação é de conformismo e esperança”, dizia Celso Alambert, pai do funcionário público Marcio Rodrigues Alambert, 31 anos, que desapareceu na sexta-feira e poderia ter pego a van para chegar à Subprefeitura de Pinheiros.

Abalados, os pais do motorista e do cobrador, que chegou anteontem de Natal, não conseguiam conversar com a imprensa. Por volta das 16h, familiares deixaram a cratera e chegaram na base montada pela empresa proprietária da van, na rua Capri, desesperados.

Eles exigiam a presença do Ministério Público afirmando que tinham sido colocados tapumes em frente ao local onde estavam para que não pudessem mais acompanhar os trabalhos. “Queremos ver o que estão fazendo, temos direito à informação”, dizia Nélson Alambert, primo de Marcio.

Poucos minutos depois, familiares foram informados de que carros do IML sairiam com quatro corpos encontrados na van. Mais uma notícia falsa. “É uma palhaçada”, dizia Djalma Gomes, sogro de Wescley. “Como se não bastasse a situação de nossos parentes, ainda ficam brincando com a gente.”