08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Casagrande e senzala


| Tempo de leitura: 3 min

Aqui no Brasil ainda persiste a diferenciação entre casagrande e senzala por causa do nosso passado escravagista.O preconceito social que sofrem os pobres e as pessoas mais humildes é algo de increditavel. A nossa elite é mesquinha e sorte deles que o Lula, por mais erros e acertos que tenha, preza pela democracia, porque há muito tempo já estão merecendo um genérico de Hugo Chaves por aqui.

Mais vamos deixar a teoria de lado e vamos para a prática: esses dias eu tinha que protocolar um documento num órgão público, mas antes eu queria falar com o servidor responsável pela sessão. Ao adentrar na repartição pública, a atendente já fez o ridiculo e irracional gesto de ficar olhando a minha vestimenta. E outra, a primeira coisa que se deve falar para uma pessoa é um bom dia ou boa tarde, mas depois de me olhar dos pés à cabeça a fulana falou o maldito “pois não”. E eu já comecei ficar absolutamente irritado.

Depois do maldito "pois não", comuniquei para a atendente que queria falar com o responsável pela sessão (detesto a palavra chefe) e aí ela teve a pachorra de me perguntar da aonde eu era. Aí eu deixei a cordialidade de lado e afrontosamente respondi que era do planeta terra e estava num Pais chamado Brasil, no Estado de São Paulo e na cidade de Bauru. A atendente fechou a cara para mim e saiu pisando firme para possivelmente comunicar a minha inoportuna presença no local.

Logo imaginei que as coisas iriam melhorar depois daquele pequeno embate, mas para a minha surpresa a coisa começou a piorar. A atendente voltou da sala do bam-bam-bam lá do local e infelizmente me comunicou que o fulano queria saber o que eu era. Aí, sarcasticamente, eu pedi (detesto o verbo mandar) para ela dizer que eu era um homo-sapiens, carnivoro, herbivoro e mamifero, cujo corpo se dividia em cabeça, pescoço, tronco e membros e também corintiano. Aí quem perdeu a boa foi a atendente e depois de me chamar de engraçadinho me “alertou” que maltratar funcionário público daria penalidade e citou até o numero da lei. Foi quando eu perguntei que penalidade teria para funcionários que tratam a população com descaso e preconceito social.

Mas aí o semi-deus lá da repartição resolveu me atender e até mandou trazer copos de água porque, segundo ele, eu estava aparentemente nervoso. Protocolei a petição e ao sair da sala a atendente me desejou um bom dia e até me chamou de senhor, mas o semblante dela traduzia outra coisa que em respeito à familia, a moral e os bons costumes eu não posso citar aqui.

Esse acontecimento não é ficção, é a pura realidade. Agora vocês imaginem como sofrem por aí as pessoas humildes que aguentam esse tipo de situação calados porque não conseguem se impor. Esse tipo de indiferença é característico de sociedade aonde reina a injustiça social e a discriminação e as pessoas devem se insurgir contra este tipo de coisa. Da onde você é e o que você é não são a melhor forma de contactar ou dar boa vinda para uma pessoa. Seria muito melhor perguntar apenas o nome e não vejo nenhum motivo, dependendo da situação, de querer saber o que a pessoa faz.

E não sou arrogante, não, e preconceito, falsidade, hipocrisia e falso moralismo eu passo por cima igual a trator.

Pedro Valentim