09 de julho de 2026
Nacional

PL, Prona e PSC vão apoiar Chinaglia

Por Silvio Navarro e Letícia Sander | Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

Brasília - As bancadas do PL, PSC e Prona, que deverão formar um bloco na futura legislatura, anunciaram ontem, em conjunto, o apoio formal à candidatura de Arlindo Chinaglia (PT-SP) à presidência da Câmara. No caso do PL e do Prona, as siglas aguardam a autorização da Justiça Eleitoral para se unirem no novo Partido Republicano (PR). Juntos, os dois partidos elegeram 25 deputados. O PSC terá outros oito.

Segundo o líder do futuro PR, Luciano Castro (RR), o partido se juntará ao PSC para a formação de um bloco. Além disso, ele afirmou que, com a filiação do governador de Mato Grosso, Blairo Maggi (ex-PPS), o bloco terá 44 deputados. A votação para decidir os rumos dos três partidos foi feita em conjunto. No total, 27 deputados escolheram Chinaglia, contra seis que disseram ser favoráveis ao atual presidente, Aldo Rebelo (PC do B-SP). Só votaram os deputados que foram eleitos ou reeleitos.

Para obter o apoio dos três partidos, Chinaglia ofereceu ceder a quarta-secretaria - atualmente ocupada por João Caldas, do PL - ao deputado Inocêncio Oliveira (PR-PE), atual primeiro-secretário da Casa. Além disso, o senador Alfredo Nascimento (PR-AM) negocia reassumir o ministério dos Transportes, que deixou no início do ano passado para disputar as eleições.

A quarta-secretaria é responsável pela administração dos apartamentos funcionais e do chamado auxílio-moradia concedido aos parlamentares para hospedagem em Brasília. Chinaglia e Luciano Castro rechaçaram que o apoio tenha sido costurado em função do cargo na Mesa. “Se fosse nessa lógica, não teria cargo para todo mundo”, afirmou o petista. “Ele reúne as melhores condições, a partir de agora vamos marchar juntos”, disse Castro.

Troca de lado

Inocêncio é um dos parlamentares com melhor interlocução no chamado “baixo clero” e até então trabalhava pela candidatura de Aldo. Ontem, ele atribuiu a mudança de lado à “fidelidade partidária”. “Vou acompanhar o meu partido e tive a hombridade de comunicar ao presidente Aldo. Acho que partido é coisa muito séria”, disse. Em outubro de 2005, durante discussão no plenário para votar a chamada MP do Bem, Inocêncio e Chinaglia trocaram empurrões e foram separados quando se ameaçavam com os punhos em riste. À época, Inocêncio disse: “Um dia, encontro ele no corredor”.

Ontem, a briga era coisa do passado. “Vou pedir votos para ele a partir de agora. Só tenho uma posição na vida, que é retilínea”, disse Inocêncio. Questionado sobre a perda do apoio de Inocêncio, Aldo disse apenas que “o processo tem um desfecho a ser definido em 1 de fevereiro” e que tem votos em todos os partidos. Chinaglia disse ontem esperar agora pela adesão do PP e do PTB até amanhã.

Na semana passada, recebeu o apoio formal do PMDB e do PSDB. Mesmo com as divergências internas no PSDB, ele descartou a possibilidade de o partido rever a decisão. “Além de conteúdo, a decisão teve forma, a consulta foi ampla. Não tenho temor nenhum (de o PSDB recuar).”

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Busca pelo PTB e PP

Brasília - O deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) reconheceu ontem que “o período mais difícil” de sua candidatura à presidência da Câmara foi superado com o apoio de pelo menos cinco legendas ao seu nome: PMDB, PSDB, PL, PSC e Prona. As três últimas legendas formalizaram ontem a adesão à candidatura de Chinaglia - que também conta com o apoio da bancada do PT.

Nos bastidores, Chinaglia disse estar em vantagem sobre o candidato Aldo Rebelo (PC do B-SP). “Avalio que a minha candidatura tem crescido, o período mais difícil já passei. Eu me sinto muito honrado e vou me esforçar para estar à altura desse apoio”, afirmou. Chinaglia disse que não consegue imaginar nenhum “fato espetacular” que possa reverter as chances de sair vitorioso na disputa.

Amanhã, Chinaglia terá reuniões com o PTB e o PP em busca de votos. A estratégia do petista é reunir o maior número de bancadas em torno de sua candidatura -mesmo reconhecendo nos bastidores a possibilidade de dissidência de parlamentares ao seu nome. Um grupo de deputados do PSDB contrários ao apoio para Chinaglia se reúne hoje na tentativa de reverter o apoio dos tucanos ao petista.

O presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), também prometeu convocar reunião da Executiva para rever a posição da bancada. Tasso reagiu à decisão do deputado Jutahy Júnior (PSDB-BA) de anunciar a indicação de Arlindo Chinaglia (PT-SP) após consultar parte da bancada por telefone. Apesar das articulações contra a sua candidatura, Chinaglia disse não acreditar na mudança de postura dos tucanos. “O líder Jutahy foi de uma correção ímpar. A consulta foi ampla e estou absolutamente tranqüilo com a decisão tomada”, disse.

O petista também disse estar tranqüilo em relação ao lançamento de um terceiro candidato na disputa pela chamada terceira via. “O momento é outro, o efeito Severino Cavalcanti não existe”, afirmou. Chinaglia reconheceu que, na atual conjuntura, dificilmente a base aliada conseguirá se unir em torno de uma única candidatura. “É claro que, quanto mais tempo passa, mais difícil isso fica”, afirmou.