09 de julho de 2026
Política

Para Fetaesp, fusão da Sagra é descabida

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 3 min

Descabida. Esta é a opinião de Braz Albertini, presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de São Paulo (Fetaesp) sobre a intenção da administração municipal de Bauru de fundir a Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento (Sagra) com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico - a nova pasta provavelmente será denominada Secretaria de Agricultura, Comércio, Indústria e Serviços - visando economia. Para ele, que pretende enviar uma carta de repúdio ao prefeito Tuga Angerami (sem partido) nos próximos dias, o município só tem a perder com a medida.

Albertini diz que a representação e o potencial de Bauru no setor agropecuário destacam a cidade no Estado de São Paulo. “Bauru é muito forte neste segmento. O fechamento da secretaria vai aniquilar o desenvolvimento agropecuário no município. Precisamos de políticas públicas de incremento para o setor, não de posicionamentos como esse”, critica o sindicalista.

Em entrevista anterior ao JC, ao explicar o motivo da fusão, Tuga disse que a boa técnica administrativa manda racionalizar ações quando há escassez de recurso. A geração de empregos é outro ponto destacado por Albertini. Ele acredita que a cidade perderá a oportunidade de minimizar o déficit de postos de trabalho se a proposta for concretizada. “Centenas de empregos poderiam ser gerados no campo se a secretaria continuasse no ramo em que estava. É importante lembrar que o superávit da balança comercial (do Brasil), em sua maior parte, é creditado ao agronegócio”, destaca.

Com a mesma insatisfação, o presidente do Sindicato Rural de Bauru, Maurício Lima Verde, ressalta que não consegue compreender a atitude do prefeito de fundir a Sagra à outra pasta. Na opinião dele, a secretaria tem papel fundamental para o desenvolvimento agrícola do município e, por isso, precisa funcionar como órgão específico.

“A Sagra é um veículo que estabelece relacionamento entre os produtores e o meio público, como os ministérios e outros departamentos do governo. Vejo sua extinção como uma medida arbitrária e sem nenhuma razão convincente para ocorrer”, relata.

Lima Verde teme que todos os projetos que estavam em andamento sob a coordenação da secretaria sejam paralisados. Ele explica que os programas são feitos em parceria com órgãos dos governos estadual e federal e, por isso, existem prazos para o credenciamento do município.

“Não acredito que haverá tempo suficiente para cumprir todos esses prazos, sem falar que muita gente precisará de treinamento para pôr em prática essas propostas conveniadas”, destaca.

No ano passado, por exemplo, a Sagra realizou quatro edições do “Dia da Cidadania Rural” – evento que tem o objetivo de regularizar documentos pessoais da população do campo –, reunindo cerca de 6 mil pessoas. Além disso, organizou o 1.º Encontro de Biodiesel, com a presença de grandes pesquisadores do assunto.

Para este ano, planejava dar continuidade aos cursos de formação profissional em agropecuária aos produtores de Bauru. “Se a situação de acabar com a secretaria vingar, esses aperfeiçoamentos terão de ser feitos em outras cidades”, completa Lima Verde.

A proposta de fusão da Sagra à Secretaria de Desenvolvimento Econômico tem descontentado a grande maioria das entidades de classe ligadas à agropecuária. O presidente da Associação dos Feirantes de Bauru, Moisés Bastos, não acredita que a prefeitura, mesmo delegando as funções da Sagra a outros departamentos, vai conseguir cumpri-los com a mesma intensidade e resultado.

“É uma proposta que nos pegou de surpresa e que está sendo exposta de forma atropelada. Tudo o que se fragmenta, perde força”, conclui. De acordo com ele, a Sagra, até então, assistia os feirantes - que somam mais de 200 profissionais que dependem desse ramo de atividade no município - com cursos profissionalizantes, equipamentos, assistência técnica, orientações de plantio entre outras ações.