São Paulo - O corpo da bacharel em direito Valéria Alves Marmit, 37 anos, uma das vítimas soterradas na cratera do metrô, foi identificado na tarde de ontem ainda dentro da van. Sem conseguir remover o veículo, por conta de possíveis deslizamentos de terra, nem retirar o corpo de Valéria, peritos colheram suas digitais para fazer a identificação. O corpo foi retirado à noite.
A família da bacharel foi informada sobre a identificação por volta das 16h de ontem. Até a conclusão desta edição, seus filhos gêmeos de 11 anos não sabiam que a mãe havia morrido. Contar aos meninos sobre a perda da mãe era a difícil missão de Wagner Marmit, ex-marido de Valéria Alves Marmit, na noite de ontem. De férias na casa do pai, eles continuavam sem saber que a mãe estava desaparecida desde sexta-feira.
A filha mais velha da bacharel, de 18 anos, fruto de um relacionamento anterior da mãe, já havia sido informada.
O Ministério Público vai investigar se houve improbidade administrativa de representantes do Metrô na fiscalização do trecho da obra da linha 4 (Luz-Vila Sônia) que ruiu na última sexta-feira. O crime de improbidade, previsto no Código Civil, pode resultar em perda do cargo público, suspensão dos direitos políticos e reparação integral dos danos. O promotor Saad Mazloum será o responsável pelo inquérito. “O que vamos investigar é se de fato houve de alguma autoridade negligência ou omissão. Em caso positivo, estão previstas sanções como perda da função pública. O Metrô é poder publico em geral, e a construtora também vai responder por improbidade como contratada”, disse ontem Mazloum, que foi ao local do acidente, em Pinheiros (zona oeste), por volta das 12h30, acompanhado pelo procurador-geral, Rodrigo Pinho, e outros dois promotores que vão investigar o caso, José Carlos Blat (parte criminal) e Carlos Alberto Amim Filho (reparação de danos às famílias e segurança da obra).
O presidente da Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô), Luiz Carlos David, esteve na tarde desta ontem no canteiro de obras da futura estação Pinheiros (Linha 4 Amarela) do Metrô. Ele afirmou que a obra não será interrompida e a nova linha será entregue no prazo estipulado. “A obra vai continuar, ela é necessária para São Paulo.”
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Indenização
São Paulo - O governo estadual tem a obrigação de indenizar as famílias atingidas pelo acidente nas obras da linha 4 do Metrô. Porém, estas devem acionar judicialmente a Companhia do Metropolitano (Metrô) ou o consórcio que executa a construção. É o modo mais rápido de obter o ressarcimento, segundo juristas. Ontem, o consórcio anunciou que o seguro da obra prevê o pagamento das indenizações. O desembargador Henrique Nelson Calandra, do Tribunal de Justiça de São Paulo, afirma que o governo tem o dever de indenizar as famílias das vítimas, independentemente da apuração de culpa de algum órgão ou membro da administração.
O ressarcimento deve ocorrer porque os prejuízos e mortes são decorrentes da atuação do Estado, no caso a construção da linha do Metrô. O desembargador diz que embora exista a responsabilidade do Estado - chamada de “objetiva” em casos deste tipo -, os prejudicados provavelmente vão preferir processar o Metrô ou o consórcio Via Amarela, executor da megaobra. Esta escolha deve ocorrer para evitar a demorada fila dos credores do governo.
Ontem o consórcio divulgou uma nota em que afirma que o seguro da obra - feito com com a seguradora Unibanco-AIG - contém um cobertura para os “interesses e prejuízos” relativos a “atendimento médico-hospitalar, lesões corporais e morte”. Segundo a nota, o seguro garante também as indenizações para “reconstrução ou reparação dos imóveis danificados ou destruídos e (...) de bens móveis como veículos, mobiliários e utensílios danificados ou destruídos”. As vítimas deverão enviar os pedidos de indenização para a seguradora, através do consórcio, diz a nota.
Folhapress