São Paulo - O Instituto Médico Legal (IML) confirmou na manhã de ontem que é do motorista de caminhão Francisco Sabino Torres o terceiro corpo resgatado dos escombros da estação Pinheiros do Metrô de São Paulo, que desabou na última sexta-feira. Outros dois corpos já foram resgatados. As equipes ainda procuram quatro vítimas.
A primeira vítima localizada, a aposentada Abigail de Azevedo, 75 anos, foi retirada dos escombros na segunda-feira. Na noite de anteontem, os bombeiros resgataram o corpo da bacharel em direito Valéria Alves Marmit, 37 anos. A cratera deixada pelo desabamento nas obras da linha 4-Amarela, na zona oeste da cidade, engoliu veículos e pessoas, isolou ruas e interditou casas.
O Corpo de Bombeiros espera encerrar até amanhã o resgate de todas as vítimas do desabamento, segundo o capitão Mauro Minoro Takara. Após o resgate do corpo do motorista, os bombeiros concentraram os trabalhos na retirada da van, que ficou soterrada por 28 metros de entulho. Dentro do microônibus estão o motorista Reinaldo Aparecido Leite, 40 anos, e o cobrador Wescley Adriano da Silva, 22 anos. Seriam passageiros o funcionário público Marcio Rodrigues Alambert, 31anos, e o office-boy Cícero Augustino da Silva, 58 anos.
Com base em inspeções visuais realizadas nos últimos três dias, a Defesa Civil e a Subprefeitura de Pinheiros (zona oeste) decidiram que mais dez imóveis próximos à área do acidente no Metrô serão demolidos, o que deve acontecer nos próximos dias. Assim como os primeiros três imóveis demolidos, as novas casas condenadas, todas residenciais, ficam nos extremos das ruas Gilberto Sabino e Capri - locais mais afetados pelo deslizamento. Todas elas estão no raio que a grua, de 50 toneladas, ocupa.
Ontem, equipes fizeram novas injeções de concreto para estabilizá-la. Por enquanto, os donos dos imóveis não sabem quanto vão receber de indenização.
O Consórcio Via Amarela informou que haverá o ressarcimento, mas não existe um prazo ou valores. Ontem, o governo do Estado nomeou defensores públicos para ficarem à disposição das 79 famílias removidas de suas residências, inclusive inquilinos.
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Curiosos
São Paulo - “Nós sempre vamos a esses eventos. Fomos ao show do Rebelde”. O analista de sistemas Lívio Schiewaldt, 41 anos, levou os filhos Yuri, 12 anos, e Beatriz, 9 anos, para observar a movimentação no canteiro de obras da estação Pinheiros, que desabou na sexta-feira. O vai-e-vem de caminhões e o sobrevôo de helicópteros de emissoras de TV é um espetáculo para a família Schiewaldt como para centenas de curiosos que param todos os dias em frente ao local do acidente. Mas, Schiewaldt também sofre transtornos em decorrência do desabamento.
Morador do Jaguaré, ele enfrenta congestionamento para ir trabalhar e chegar em casa por conta da lentidão da pista local da marginal Pinheiros. “É complicado ir trabalhar. Fica tudo parado”, disse o analista. Outro incômodo é o barulho dos helicópteros. Schiewaldt mora perto de um heliponto e sua casa fica embaixo do corredor de tráfego dos helicópteros.
“O trabalho dos caminhões é essencial. Agora não precisa de tantos helicópteros”, afirmou Schiewaldt. Já o ruído dos helicópteros atraiu a doméstica Constância Lima dos Reis, 50 anos, que saiu de sua casa, no Largo de Pinheiros, - próximo ao local do acidente - somente para observar a movimentação do canteiro de obras. “Lá perto de casa tem um desse aí (guindaste de aproximadamente 50 metros de altura e 50 toneladas). Dá medo de acontecer a mesma coisa. Ontem ouvi o barulho dos helicópteros e resolvi vir até aqui”, disse anteontem a doméstica, que mora próxima à obra da futura estação Faria Lima.
O auxiliar de serviços gerais Josezito dos Santos, 53 anos, chegou bem mais tarde em casa, no Jardim Ângela. Ele saiu do trabalho, na Vila Mariana, e passou pelo local do acidente antes de ir embora. Santos ficou observando o que acontecia no canteiro de obras por cerca de uma hora. “É importante olhar. Não tem problema chegar tarde em casa”, disse o ajudante.