Caros leitores desta coluna, tenho notado que é chegada a hora de discutir a utilidade do Programa Escola da Família e questionar se o mesmo cumpre seus objetivos. Primeiramente, esclareço que fui voluntário por dois anos na E.E. Antonio Guedes de Azevedo, onde ministrei aulas de inglês. Estes finais de semana dedicados ao fomento da cultura da comunidade conduziram-me às seguintes conclusões:
A comunidade escolar, constituída pelos alunos e suas famílias, tem grande necessidade de um local para a prática esportiva. Neste ponto a escola pública tem pouco a oferecer, pois não dispõe de mais do que uma ou duas quadras com piso de cimento, nas quais apenas algumas modalidades esportivas podem ser praticadas. Mesmo assim, a escola é o único lugar em que se pode jogar basquete, vôlei, handebol e futebol de salão gratuitamente.
Não apenas de prática esportiva, mas de cultura carece a comunidade escolar. Frise-se que Bauru possui pouquíssimos lugares que oferecem leitura e cursos gratuitos à população. Em tese, o Programa Escola da Família poderia oferecer tais atividades à população, com uma vantagem importante, qual seja, o fato das escolas localizarem-se nas proximidades das residências dos interessados.
Finalmente, o Programa Escola da Família proporciona uma oportunidade única para a troca de idéias e de experiências entre os membros da comunidade. Em tese, aos finais de semana deveriam se reunir na escola lideranças comunitárias interessadas no desenvolvimento de projetos, organização de eventos e similares.
A situação de apatia que dominou muitas escolas aos finais de semana nos anos passados não pode ser creditada exclusivamente aos universitários bolsistas ou aos educadores responsáveis pela coordenação das atividades, embora concorde que muito dela se deveu à falta de criatividade e ousadia dessas pessoas. O fracasso parcial do Programa Escola da Família reflete a incapacidade que a sociedade civil tem de se organizar e fomentar mudanças no nosso tão criticado cotidiano. Significa também o egoísmo que orienta tantas pessoas, que se recusam a compartilhar seu tempo e seu conhecimento com outras de maneira voluntária.
Pelos motivos acima, respeitando todas as opiniões contrárias, sou favorável à continuidade do Programa Escola da Família, pois acredito que se trata de uma oportunidade para difundirmos o espírito cooperativista e voluntarista, únicos instrumentos capazes de criar uma sociedade civil que se una em prol de reivindicações comuns frente aos poderes constituídos. Espero que a redução no número de escolas atendidas pelo Programa, embora tenha dificultado muitas iniciativas, como por exemplo o curso de inglês que ministrava, sirva para aumentar a seletividade entre universitários e educadores participantes, de forma que apenas aqueles que estão dispostos a inserir a escola pública no cotidiano dos bairros persistam e continuem no Programa.
Octávio Santos Antunes - RG 33.808.305-4 SSP-SP