O estilo barroco predomina nas igrejas do Recife. Gilberto Freyre dizia que no Recife não há nenhuma catedral que se compare às do México ou do Peru, mas seu “barroquismo por natureza romântico” exprimiu-se em assimetrias e irregularidades que “dão às nossas igrejas, como a toda a arquitetura colonial brasileira, um encontro íntimo de espontaneidade”.
É o caso da Igreja São Pedro dos Cléricos, a Catedral do Recife, em frente ao pátio do mesmo nome, que se destaca entre sobradinhos e casas de porta-e-janela que se agarram umas às outras.
“Logo a porta de São Pedro, de motivo barroco, é uma delícia. Suas torres, das mais bonitas que tem a cidade. Cada uma, com quatro tochas. De cada lado da igreja, um desses lampiões tão recifenses, pegados na parede. No interior, altares entalhados, retabulos de talha dourada, jacarandás pretos, púlpitos bem trabalhados, uma pia de pedra portuguesa....”
Outra que chama a atenção é a Igreja da Madre de Deus, considerada a mais bela e antiga construção do bairro do Recife, superando tanto os edifícios da praça Rio Branco e os sobradões coloridos da rua do Bom Jesus como a própria Torre Malakoff.
Na Madre de Deus deve-se admirar o frontispício de cantaria com suas torres e um nicho no qual está a imagem setecentista do padroeiro da paróquia, o franciscano português São Frei Pedro Gonçalves, a talha do altar-mor e da sacristia e no altar lateral a imagem do Senhor Bom Jesus dos Passos.
A rua do Imperador
Saindo do Recife Antigo e atravessando a ponte Maurício de Nassau, chega-se à rua do Imperador Pedro II, onde localiza-se o conjunto arquitetônico no qual se destacam o adro com seus leões de pedra nitidamente orientais, o convento propriamente dito, a igreja conventual, a igreja de São Francisco da Ordem Terceira de São Francisco das Chagas a Ordem terceira de São Francisco e seu hospital.
O convento data de 1606, bem antes da colonização holandesa. É a mais antiga construção do bairro e tem claustro guarnecido por belíssimos painéis de azulejos sobre os quais o historiador José Antônio Gonsalves de Mello escreveu uma de suas eruditas monografias.
A igreja também tem paredes revestidas de azulejos portugueses do século 18, representando a vida de Santo Antônio que, embora tenha morrido em Pádua, Itália, era natural de Lisboa, Portugal.
A Capela Dourada, “expressão máxima da arte sacra barroca do Recife”, segundo o padre Antônio Barbosa, é uma das mais primorosas realizações dos artífices brasileiros do período colonial.
A talha dourada que a recobre quase totalmente se harmoniza com as barras de azulejo, o jacarandá das grades, as imagens e pinturas-das-paredes e do teto em forma de caixotes. A capela faz parte do museu de arte sacra ao qual se tem acesso pela portaria da Ordem Terceira.
Como a capela funciona como um museu, a Ordem Terceira de São Francisco iniciou em 1801 a construção de sua própria igreja, dedicada a São Francisco das Chagas. O Hospital dos Terceiros Franciscanos completa o conjunto arquitetônico da rua do Imperador.