A facilidade de obter crédito bancário tem levado muita gente ao endividamento, especialmente os aposentados pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Mensalmente, a Caixa Econômica Federal (CEF) libera em Bauru e em mais 34 cidades da região, cerca de 540 empréstimos consignados à categoria, segundo o gerente da Caixa no município, José Rubens Martins de Araújo.
De acordo com ele, o valor médio dos empréstimos é de R$ 4 mil. Entretanto, essa quantia abrange também empréstimos adquiridos por funcionários de empresas que são conveniadas ao programa de crédito consignado da CEF.
No ano passado, os aposentados cadastrados na Agência do INSS de Bauru, que abrange outras nove cidades da região, financiaram R$ 48 milhões. Foram 30 mil contratos assinados.
O aposentado Gérson de Aguiar, 73 anos, fez parte da lista em 2006. Ele conta que emprestou R$ 450,00 para ajudar o filho a pagar o conserto do motor do carro. “Graças a Deus consegui pagar. Foi suado, mas está pago”, diz, aliviado.
Aguiar recebe R$ 350,00 de aposentadoria por mês. Apesar de ganhar pouco, tomou o empréstimo com desconto direto na conta em outras duas oportunidades.
“Peguei R$ 500,00 e, depois que terminei de pagar, financiei mais R$ 800,00”, completa.
O aposentado diz que abriu mão do descanso para poder quitar com maior tranqüilidade o empréstimo. “O dinheiro dos bicos ajudou bastante”, destacou. O empréstimo consignado é uma modalidade de crédito que oferece a menor taxa de juros do mercado, segundo especialistas.
Na CEF, a taxa para aposentados varia entre 1,30% e 2,41% ao mês, com plano de até 36 parcelas para o pagamento. Conforme Araújo, o percentual de juros oscila com o prazo escolhido para a liqüidação do débito.
“A taxa de juros na rede bancária para crédito pessoal é de, aproximadamente, 5% ao mês. O crédito consignado, portanto, é uma opção bastante viável, principalmente para os aposentados”, compara.
Nas financeiras, a correção de juros sobre o empréstimo pode atingir mais de 10% ao mês. Apesar de todas as vantagens aparentes do crédito consignado, é recomendável muita cautela antes de tomá-lo. O economista Fernando Pinho alerta para as armadilhas desse programa.
Ele reconhece que o empréstimo com desconto direto na conta bancária é atrativo e mais viável por onerar menos os tomadores do crédito. Porém, ressalta que qualquer transação financeira desse tipo só deve ser feita para saldar uma dívida cuja taxa de juros seja maior.
“Se for para fazer essa troca, compensa. Caso contrário, não. A taxa de juros é pequena, mas compromete parte da renda do aposentado e pode fazer muita falta”, constata.
Pinho sugere como condição extremamente fundamental para evitar dores de cabeça, mais tarde, fazer um planejamento das despesas mensais. Apontar os custos com água, luz, telefone, farmácia, supermercado, plano de saúde, é um procedimento que, segundo o economista, revela, com precisão, o valor que se pode financiar.
“É essencial pôr tudo na ponta do lápis. Só assim a pessoa saberá se conseguirá pagar. Não se deve optar por um crédito sem levar em conta a condição que tenho de saldá-lo”.
O economista aponta ainda que frear o impulso consumista é uma atitude importante na tentativa de se evitar o endividamento com o crédito.
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Cautela
Tomar um empréstimo requer muita atenção com o acordo firmado com o banco ou a financiadora.
O economista Fernando Pinho diz que, além de ficar atento à taxa de juros, é importante que o tomador do crédito procure orientação de um advogado.
“Os contratos, em geral, têm meandros perigosos para quem não tem familiaridade com os termos jurídicos. Por isso, todo cuidado é pouco”, alerta.