09 de julho de 2026
Regional

‘Epidemia’ causa revolta de moradores em Reginópolis

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

Reginópolis - Em Reginópolis (70 quilômetros de Bauru), o caso foi parar na Casa da Agricultura, onde a agrônoma Maria Paula Ferraz encaminhou uma amostra para o Instituto Biológico de Bauru. A pesquisa teria sido feita por uma bióloga que está em férias e ninguém soube informar o resultado do trabalho.

Borboleta ou outra espécie de inseto, não importa para o engenheiro civil Reinaldo Benedito Martins, morador da cidade que classifica a invasão de epidemia. “Estamos com uma epidemia de ‘borboletinhas’. A situação está sem controle e não sabemos nada sobre a espécie. Se ela transmite doenças, estamos sem saber.”

Ele garante que a invasão dessa espécie de inseto começou há seis anos quando a cultura de cana-de-açúcar se expandiu nas lavouras da região. Martins aposta que o predador da ‘borboleta’ foi exterminado por algum pesticida e, por isso, ganhou espaço e hoje invade a casa dele e a dos 4.718 habitantes do município.

“Todos os dias a piscina está repleta. Os ovos são mais pesados do que a água e ficam no fundo, enquanto que os ‘bichinhos’ mortos ficam na superfície. A água fica suja. Anteontem, em dois minutos colhi uns 200 insetos, sem fazer esforço.”

Ele reclama de não poder trabalhar à noite. “Já troquei algumas lâmpadas para evitar a entrada dos insetos. Mas eles entram até por debaixo das portas. Não posso usar o computador à noite.”

Ele ressalta que na praça da matriz é possível assistir a um show de ‘borboletinhas’ por volta das 21h. “Elas invadem a cidade por uma hora e deixam muita sujeira. Nos globos da praça elas fazem show, em nuvens, voam todas juntas. Se alguém se aproximar, tentam entrar até no ouvido.”

Carniça

Se o misto de borboleta com aleluia provoca transtornos quando vivo, pior é o resultado depois de morto. Juntos, aos milhões, os insetos formam uma espécie de bola que passa a colar no asfalto, calçadas e onde ficarem. Esses ‘bolos’ de insetos sob o sol exalam um forte odor semelhante a peixe podre.

O cheiro atrai as moscas varejeiras que se deliciam com o prato quente. “É nojento, insuportável”, reclama Martins. Para ele, os municípios deveriam buscar uma solução. “Recebi alguns parentes de São Paulo no final do ano e fiquei envergonhado. A cidade está malcheirosa.”

A agrônoma Maria Paula Ferraz, da Casa da Agricultura de Reginópolis, que está de licença maternidade, confirma que o inseto morto exala um odor horrível. “É uma larva aquática que no período de desova sai da água à procura de claridade para botar os ovos. Não sei de onde vem e nem se tem controle. Passei o caso para o Instituto Biológico de Bauru.”