11 de julho de 2026
Nacional

Segundo engenheiros, colapso que gerou cratera durou só dois minutos

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - Durou só dois minutos. Foi esse o intervalo de tempo entre o início e o fim do colapso que provocou o rompimento do teto da estação Pinheiros do metrô, segundo Celso Rodrigues, engenheiro do consórcio Via Amarela e coordenador de produção da linha 4.

Foi por causa desse tempo exíguo que a rua Capri não foi fechada, disse ele na primeira entrevista coletiva do consórcio sobre o acidente. Se a rua Capri tivesse sido fechada, seis das sete vítimas poderiam ter sobrevivido, segundo a Defesa Civil. “É como a queda de um avião. Não dá tempo de fazer nada”, comparou o engenheiro Carlos Maffei, consultor do consórcio que participou da entrevista.

O processo mais lento - o desmoronamento das paredes do poço que dava acesso ao túnel, mostrado repetidamente na televisão - foi conseqüência da queda do teto do túnel, afirmou Rodrigues, funcionário da Odebrechet que estava de férias durante o acidente. O deslocamento de ar provocado pela ruptura do terreno foi tão violento que jogou os operários no chão, segundo o engenheiro. Havia 25 operários na obra, sob supervisão do engenheiro José Maria Aragão. “Ouviram um estrondo, um estalido muito forte. A primeira coisa que fizeram foi ir para a rota de fuga”, contou.

A maior parte dos funcionários saiu do túnel de elevador. “O operador do elevador diz que, enquanto o elevador subia, viu o túnel caindo’’, contou Rodrigues.

No momento do desmoronamento, os operários trabalhavam no concretamento de uma área chamada de “rebaixo” - é por onde os trens irão circular. Não houve negligência do consórcio no monitoramento da escavação do túnel, de acordo com o engenheiro.

Rodrigues fez uma comparação com dados de outro acidente, ocorrido em abril do ano passado, quando oito casas da rua João Elias Saada foram evacuadas: “Os números eram duas ou três vezes menores do que os da João Elias Saada. (A situação) Não era alarmante”.