10 de julho de 2026
Regional

Polícia de Pederneiras ouve declarações de vereador sobre o roubo na Arielo

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 3 min

Pederneiras - O delegado Márcio José Alves colheu ontem as declarações do vereador Marcelo Aparecido da Silva (PL), de 27 anos, no inquérito policial que investiga roubo, seqüestro, cárcere privado e formação de quadrilha ocorrido com uma carga da Arielo. O roubo ocorreu na quarta-feira (dia 10), em Pederneiras, (26 quilômetros de Bauru) e já gerou a decretação da prisão temporária de Osmar Aparecido Massóca, mais conhecido por Dedé, e a prisão de Paulo Sérgio Costa, 48 anos, sob a acusação de receptação e formação de quadrilha, crimes investigados em outro inquérito. Massóca é considerado foragido pela Polícia Civil e sua prisão foi solicitada para investigações. Na última terça-feira, nove toneladas de induzidos foram localizados na empresa de Costa.

Ainda que coincidências possam sugerir algum envolvimento de Silva com o crime, o delegado ressalta que não há nada até o momento que incrimine o vereador. No entanto, muitas coincidências favorecem a versão de aproximação de Silva com pessoas que efetivamente estão sendo investigadas (não acusadas) pela linha de apuração definida por Alves. Raimundo Nonato Júnior trabalha e é cunhado do vereador. Ontem, prestou depoimento ao delegado. “Ele está sendo investigado, mas até agora não provaram nada contra ele”, frisa o vereador.

Silva confirmou ontem ao JC que realmente conhece Massóca. Inclusive ambos passaram o final de ano em Santos, Litoral Paulista, na residência de uma tia de Massóca. O vereador esclarece que é árbitro de futebol amador, assim como Massóca, daí viria o relacionamento entre ambos. “Só como árbitro de futebol”, explica. Desse relacionamento surge também a primeira das muitas coincidências do quebra-cabeça em torno do roubo. Dias após estarem juntos no Litoral, Massóca apareceu na residência de um parente no bairro Breno Cury com 1,4 tonelada de sucata de cobre roubada da Arielo, posterioremente recuperada pela Polícia Militar (PM) no sábado último. Imediatamente, após esse fato é que passou a pipocar acusações na cidade contra o vereador Marcelo Aparecido da Silva. Entretanto, o que vale são as 135 páginas já acumuladas no inquérito, em apenas seis dias de investigações, e que não apresentam nada contra o vereador até o momento.

Silva confirmou ontem para a reportagem que trabalhou na Arielo durante seis anos e, posteriormente ao seu desligamento, ainda prestou serviço para a empresa. “Hoje já não tenho parente nenhum que trabalhe lá e tem algumas pessoas que a gente conhece afinal são seis anos.”

Silva esclarece que hoje faz recondicionamento de peças, inclusive já fez recuperação para a Arielo.

Na última quarta-feira, o vereador iria ocupar a tribuna da Câmara Municipal de Pedernerias para prestar esclarecimentos, porém, apenas o presidente do Legislativo, vereador Miguel Rozante Alba (PPS), usou brevemente a palavra. “O presidente da Câmara (Alba) procurou o delegado (Alves) que falou para o presidente da Casa que não havia nada contra o meu nome até o momento e por isso preferi esperar para que se apurasse os fatos para que depois a gente falasse”, explica. Para Silva, muitas pessoas maldosas estão tentando denegrir sua imagem. “Fui o terceiro vereador mais votado com 672 votos (eleição de 2004). O trabalho que a gente vem fazendo em bairros mais humildes vem incomodando algumas pessoas. E não vai ser isso que vai fazer eu baixar a cabeça”, argumenta Silva, que está em sua primeira legislatura.