08 de julho de 2026
Internacional

Morales segue o discurso de Chávez

Por Da Redação | Com Folhapress e Reuters
| Tempo de leitura: 2 min

Rio de Janeiro - O presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmou ontem que chegou ao fim o período de “democracias servis” na América Latina.

Segundo ele, antigamente, somente Cuba lutava pela independência em oposição aos Estados Unidos e, hoje, outros países já seguem este exemplo.

“Se antes havia apenas um povo, um presidente, um comandante como Fidel (Castro, ditador cubano)], hoje se somam outros como o presidente (Hugo) Chávez, (da Venezuela), que eu respeito muito.”

Morales fez um balanço de seu primeiro ano à frente do governo boliviano e citou melhorias econômicas, como a criação de um banco de fomento no país.

Ele afirmou que seu governo vai seguir o processo de nacionalização de setores, como mineração e madeira. “Precisamos de sócios, não de patrões. Não queremos expropriar, mas o Estado tem que exercer o direito de propriedade sobre seus recursos naturais”, afirmou.

O presidente boliviano disse ter muita “confiança” no companheiro brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e disse que uma reunião entre os dois governos (técnicos, ministros e embaixadores) está marcada para o dia 14 de fevereiro.

Na pauta, assuntos como agropecuária, energia, crédito e infra-estrutura.

Bate Boca

Uma referência direta que o presidente boliviano Evo Morales fez às relações entre Colômbia e Estados Unidos provocou uma resposta dura do presidente colombiano Álvaro Uribe e uma discussão áspera que envolveu o presidente venezuelano Hugo Chávez.

Durante o seu discurso, Morales aludiu ao crescimento econômico de Cuba, Argentina e Venezuela, países que classificou como soberanos e contrapôs os resultados ao déficit comercial e fiscal da Colômbia, onde os Estados Unidos investem no combate ao narcotráfico.

Morales disse que usava informações de organismos como a Cepal para fazer a sua afirmação.

Em tom exaltado, Uribe respondeu que sua política de combate ao narcotráfico era séria e importante e que, assim como tinha relações com os EUA, também tinha com Cuba e Venezuela.

O presidente colombiano lembrou ainda que tinha conversado com Morales na noite anterior e que ele não fizera nenhuma menção à relações que mantém com os EUA. “Perdão presidente Lula, mas tive que responder ao senhor Morales”, disse Uribe desculpando-se pelo tom de seu discurso.

O presidente Hugo Chávez ligou o microfone e interveio em defesa de Morales. “O comentário do presidente Morales foi saudável. Acho que a sua reação foi superdimensionada”.

“Superdimensionada com respeito ou sem respeito” questionou Uribe.

“Somente superdimensionado. Podemos falar depois”, rebateu Chavez.

“Quando a Colômbia foi mencionada, você tem que reconhecer o meu direito legítimo de esclarecer”, respondeu Uribe. “Como aconteceu tantas vezes em que conversamos”, completou o presidente colombiano.