Quase um ano após o astronauta bauruense Marcos Pontes ter chegado à Estação Espacial Internacional (ISS) e entrar para a história ao tornar-se o primeiro brasileiro a ir para o espaço, agora Bauru tenta trazer a cápsula que ele usou. A idéia é colocá-la em exposição na cidade. O próprio astronauta, o prefeito Tuga Angerami (sem partido), professores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e o vereador Primo Mangialardo (PV) estão empenhados na missão.
Eles se reuniram ontem na prefeitura para assinar e enviar um ofício ao Consulado da Rússia, em São Paulo, fazendo o pedido formal. As cápsulas estão na Rússia, que comandou a missão espacial integrada por Pontes. O Memorial Aeroespacial Brasileiro, localizado em São José dos Campos no Centro Técnico Aeroespacial (CTA), foi o primeiro a tomar a iniciativa de pedir uma das cápsulas para colocá-la no museu.
O cônsul da Rússia no Brasil visitou as instalações naquela cidade no início do mês e aceitou a solicitação. Sendo assim, a cápsula usada por Pontes para sair da Estação Espacial e pousar na Rússia, no deserto do Cazaquistão, irá para lá. Bauru ficaria com a cápsula DMA-7, usada por ele para chegar até a estação.
A peça pesa cerca de sete toneladas, tem 2,8 metros de altura e 2,6 metros de diâmetro. De forma ovalada, tem capacidade para abrigar três pessoas. Na viagem, Pontes teve o russo Pavel Vinogradov e o americano Jeffrey Williams como companheiros.
Em Bauru, a idéia é que a cápsula fique no observatório que será instalado em um prédio cedido pelo Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet), localizado na quadra 14 da avenida Luiz Edmundo Coube.
A professora de física da Unesp e responsável pela implementação do projeto, Rosa Maria Fernandes Scalvi, disse que, se for necessário, o espaço será adequado para receber a cápsula. “A cápsula é grande e estamos estudando a construção de uma sala especial para ela”, explicou.
Depois que a cápsula foi usada por Pontes para chegar à ISS, ela ficou por lá por mais seis meses. Em setembro do ano passado, foi usada por astronautas para retornarem à Terra e, desde então, permanece na Rússia.
O astronauta brasileiro acredita que o transporte da cápsula até Bauru não será problema. “Ela poderia ser trazida por um avião da Força Aérea Brasileira. O mais importante é a iniciativa pública da prefeitura junto com a universidade para pedi-la ao Consulado Russo”, diz Pontes.
O prefeito Tuga Angerami ressaltou que ainda existem muitos analfabetos da ciência no País. “De maneira geral, as pessoas pensam só em um tipo de analfabetismo, aquele referente à leitura e escrita. Mas, o analfabetismo científico, lamentavelmente, é em um desafio enorme para sociedade”, argumenta.
Pontes ressalta que Bauru tem sua história ligada à aviação e a cápsula ajudaria a enriquecê-la. “Ter em Bauru um objeto (a cápsula) ligada à aviação e ao espaço pode motivar a educação científica das pessoas”, argumenta.
A cápsula fazia parte da nave Soyuz, que era composta de três módulos - orbital, de descida e instrumentação/propulsão. Mas somente o módulo intermediário, no qual viajam os tripulantes, chegou à Terra. Os outros dois foram descartados antes da reentrada.