Sem contar com o mesmo poder de penetração dos evangélicos nas áreas mais carentes da cidade, os católicos buscam alternativas para continuar realizando de maneira eficiente seu trabalho de evangelização.
As dificuldades enfrentadas por eles são grandes: nos bairros de periferia, para cada capela católica existem dezenas de templos pentecostais, sem contar o número de pastores, que é infinitamente superior ao de padres.
“A Igreja costuma ter um cuidado muito grande com formação de seus sacerdotes, por isso o processo é tão demorado. Para ser ordenado, por exemplo, tive de estudar durante sete anos. Em algumas religiões, ao contrário - não digo em todas -, basta que a pessoa saiba um pouco de oratória e pronto, já é colocada para pregar”, diz o padre Fábio Roberto Chella, responsável pelas paróquias de São Benedito, na Vila Falcão, e de Nossa Senhora da Assunção, no Jardim Ouro Verde.
Em todo caso, as lideranças católicas não acreditam que a solução para ausência da Igreja na periferia esteja em copiar o modelo adotado pelos evangélicos. “Não adianta sairmos por aí semeando pequenas capelas em todas as vielas de Bauru, para depois não darmos conta de cuidar delas”, pensa o frei Ernani Pereira Marinho, responsável pela paróquia de São Paulo Apóstolo, na zona norte de Bauru.
Umas das formas usadas pela Igreja, atualmente, para atrair antigos e novos fiéis são as missas e eventos organizados pela Renovação Carismática. Além disso, a instituição vem apostando nos leigos como forma de ampliar os trabalhos de evangelização.
“As equipes missionárias vão de casa em casa levando a Igreja para perto dos fiéis”, explica o frei. A tendência para o futuro, acreditam os líderes religiosos, é que os leigos venham a ocupar um papel cada vez mais relevante na difusão da doutrina católica.
“Hoje em dia os ministros da eucaristia já atuam praticamente como padres nos lugares onde vivem. Eles são o elo mais próximo entre a Igreja católica e o povo”, observa Chella.