08 de julho de 2026
Geral

Salgadinhos e doces seduzem as crianças

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

Não é fácil resistir ao poder de sedução dos salgadinhos e doces. Embora sejam saborosos, eles não fazem bem à saúde. Em pequenas quantidades são até tolerados, mas nem sempre as crianças se contentam com pouco. E é justamente esse público que precisa de uma atenção especial no quesito hábito alimentar. Segundo especialistas em nutrição, é nessa fase da vida que se constroem os costumes que devem ditar as regras nos anos seguintes.

Os irmãos Everson, 14 anos, e Beatriz, 8 anos, são uma incógnita a esse respeito. Cada um deles é fissurado em um tipo de “alimento proibido”, mas também apreciam um bom prato de arroz, feijão, salada e frutas.

Enquanto Everson devora pacotes de bolacha recheada, Beatriz ataca os salgadinhos. A mãe, a balconista Marta Aparecida Janeiro Alcântara, 35 anos, acredita que ambos foram influenciados durante a gestação. “Quando engravidei do Everson, eu comia muito doce. E quando eu estava esperando a Beatriz, a minha vontade era só comer coisas salgadas. Acho que isso influenciou.”

Ela lembra que antes mesmo de falar, Everson já era viciado em doce. Uma das primeiras palavras que aprendeu foi bala. Beatriz, por sua vez, com seis meses de idade já comia salgadinho. O “vício” dura até hoje. Quando não tem nenhum desses dois produtos em casa, eles vão até a padaria onde a mãe trabalha e normalmente têm seus desejos atendidos.

Quando vai ao supermercado, Marta conta que o primeiro lugar a que os filhos vão são as prateleiras de bolacha e salgadinhos. Cada um no seu lugar preferido. “Eu compro, mas só para eles comerem naquela hora. Não levo para estocar em casa”, informa ela.

Beatriz revela que não tem o costume de levar salgadinhos para a escola porque todos os colegas ficam de olho e seu lanche acaba rapidinho. “Eu deixo para comer em casa”, diz ela. Assim, o salgadinho rende mais.

Apesar dessa paixão por produtos nada nutritivos, Everson e Beatriz não rejeitam nada na hora do almoço ou do jantar. Além do arroz e feijão, eles devoram verduras e legumes de todos os tipos. “Eles comem até jiló”, conta a mãe. Entretanto, sempre há uma exceção. Eles comem de tudo, menos beterraba. “Disso eles não gostam”, conta a mãe.

Coelhinho

A dona de casa Rita de Cássia Petrillo, 40 anos, precisa de um pouco de jogo de cintura para agradar seus filhos gêmeos Vitória e João, 8 anos. Para a menina, não pode faltar carne. Para o menino, o prato principal tem de ter salada. E um não gosta muito do prato do outro. Fazer o garoto comer carne é um sacrifício.

A irmã conta que João tinha o costume de levar cenoura para comer durante o recreio da escola. De tanto os amigos tirarem sarro dele e chamá-lo de “coelhinho”, João deixou esse costume de lado, mas só na hora do recreio. Em casa, ele continua devorando a comida preferida do Pernalonga.

Quando vai a uma pizzaria com os pais, João prefere as pizzas de brócolis e escarola. “Foi assim desde pequeno. Até parece que nasceu vegetariano”, diz a mãe.

Vitória, embora goste muito de carne, não dispensa uma boa salada de tomate e batata, além do arroz e feijão. Esses hábitos saudáveis dos filhos agradam Rita. Por esse motivo, ela procura se empenhar para sempre ter à mesa um cardápio variado, sem se esquecer das frutas para a sobremesa.

O hábito das crianças em trocar o doce por uma fruta na sobremesa é elogiado pela nutricionista Lígia Maria Fioravante de Carvalho. Segundo ela, essa é a atitude correta e deveria ser seguida por todos que se preocupam com a saúde.

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Pratos rápidos

Com a vida cada vez mais corrida, as pessoas têm menos tempo para se dedicar ao fogão. A reportagem do JC visitou supermercados da cidade e encontrou produtos que prometem comida rápida para quem não tem tempo a perder (ou seria ganhar?). Entre as opções estão sanduíches congelados com queijo e hambúrguer de frango. No microondas demora apenas um minuto e meio para ficar pronto. O produto vem embalado individualmente.

É possível encontrar até mesmo pedaços de frango congelados, mas já cozidos e temperados, prontos para serem levados ao forno convencional ou microondas. Em poucos minutos podem ser servidos.

Paralelamente ao crescimento na oferta de comidas congeladas, de preparo quase que instantâneo, tem aumentado também o espaço destinado aos lanches já prontos, naturais ou não. Segundo Marcos Fromming, encarregado do setor de mercearia em uma rede de supermercados da cidade, de um ano para cá, o espaço para esse tipo de lanche mais que dobrou para poder atender a demanda.

A rotisseria é outro setor que está fazendo muito sucesso, segundo ele. A comida já está pronta. É só comprar, levar para casa, esquentar e comer. Fácil e prático. Ideal para quem não tem tempo, mas gosta de comer bem e em casa.