08 de julho de 2026
Geral

Apenas 3% faltam ao Exame da OAB

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Apesar do alto grau de dificuldade alegado pelos bacharéis em direito e da tradicional dor de barriga decorrente da pressão, apenas 30 candidatos dos 992 inscritos para o exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Bauru faltaram ontem à primeira fase, aplicada na Instituição Toledo de Ensino (ITE).

A abstenção de 3% é considerada normal pelo coordenador regional do exame, Henrique Crivelli Alvarez, que também é presidente do Tribunal de Ética e Disciplina – Turma 10 da OAB. De acordo com ele, nenhum incidente foi registrado. Também não houve quem chegasse atrasado ao exame. Apenas um candidato chamou atenção por tentar fazer a prova com arma municiada.

No entanto, quando abordado, a entregou sem resistência e, ao final do exame, foi retirá-la. Fora isso, rotina. A concentração dos candidatos foi a mesma notada nos outros exames, assim como a queixa referente à dificuldade das questões.

“Quem estudou conseguiu fazer algumas questões. Outras estavam difíceis mesmo. Concordo com esse grau de dificuldade porque tem muita faculdade que promete muito, mas não dá o conteúdo”, diz Dione Sandro Pinto da Silva, bacharel em direito, que prestou a prova pela primeira vez.

Já Andrea Fernandes Moraes, que fez o exame pela segunda vez ontem, esperava uma prova mais fácil. Mesmo assim, está otimista. “Fiz cursinho. Sem ele não dá”, comenta. Na opinião dela, despender com aulas extras após a conclusão da faculdade é injusto, mas é a solução para contornar o fato de as faculdades não apresentarem todo o conteúdo exigido no exame da OAB.

Nível baixo

“Existe um número muito grande de faculdades, o que faz com que o nível de algumas delas fique aquém do desejado. A gente também percebe nas correções que a falta de preparo do candidato não se trata apenas do nível universitário. Alguns têm base muito deficiente, mostram erros crassos de português na segunda fase”, esclarece Alvarez.

Portanto, o baixo índice de aprovação, que por vezes circunda a casa dos 10%, não é responsabilidade da OAB, acrescenta o coordenador do exame da Ordem. De acordo com ele, o percentual de aprovação em concursos para o Ministério Público e Magistratura são ainda menores. Quem sai ganhando com a situação são os cursinhos.

Ontem, alguns deles faziam plantão em frente à ITE. Distribuíam água e panfletos. Eles esperam a procura de candidatos a partir de hoje.

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Gabarito

Passado o cansaço ao término do exame da OAB, resta agora ao candidato esperar a divulgação do gabarito para saber se enfrentará a segunda fase, agendada para o dia 25 de fevereiro. As respostas das 100 questões de múltipla escolha saem amanhã, pelos sites www.vunesp.com.br e www.oabsp.org.br.

O candidato deve acertar 50% do exame para ser classificado para a segunda fase, quando será aplicada uma prova prático-profissional com redação de uma peça processual.

A segunda fase é dissertativa, na qual são formuladas até cinco situações para serem analisadas, mas é permitida consulta à legislação, doutrina e jurisprudência. Contudo, é vedada a utilização de obras que contenham formulários, modelos e anotações pessoais, inclusive apostilas.

Ontem, com quatro opções de resposta, o teste incluiu questões de direito constitucional, civil, comercial, penal, do trabalho, administrativo, tributário, processual civil, processual penal, processual do trabalho. A prova também incluiu questões sobre o Estatuto da OAB, seu Regulamento Geral e Código de Ética e Disciplina. No total, 28.185 bacharéis se inscreveram no Estado.