08 de julho de 2026
Geral

Com a chuva, produção de hortaliças despenca

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 3 min

No lugar de hortaliças, saladas à base de legumes. Esta é uma das táticas usadas por diversas donas de casa para driblar a escassa oferta de verduras nas feiras livres e supermercados de Bauru e região. Devido ao excesso de chuva nas últimas semanas, a produção agrícola despenca, a qualidade de muitas mercadorias fica comprometida, e, os preços, aumentam. O maço de alface, por exemplo, que custava R$ 1,00, subiu para R$ 2,50, em média, aponta Marcos Aranha, feirante e proprietário de uma de banca de hortaliças.

De acordo com ele, a maioria das verduras teve alta de 100% a 150% nos preços. A rúcula, que era comercializada a R$ 1,00, custa atualmente R$ 2,50. A couve e a chicória, que eram ofertadas por R$ 1,00, não saem por menos de R$ 2,00. “A chuva atrapalha. A produção cai muito”, diz. O volume de vendas, revela Marcos, também diminuiu, causando prejuízo para os feirantes. “Ao invés de 40 caixas de hortaliças, estou trazendo no máximo 30. E o lucro cai bastante”, observa.

Assim como Marcos, a produtora agrícola Nair Pereira Lima Coracini, dona de uma banca de hortaliças na feira livre, reclama da queda no volume e lamenta a falta de qualidade das verduras. “Eu e o meu marido vendemos brócolis, couve, almeirão e chicória, mas hoje (ontem) só temos alface”, diz. Segundo ela, mais de 60% da produção estragou por conta do acúmulo de chuvas. “Por isto, tivemos que aumentar o preço”, aponta. Este problema é enfrentado pelas feirantes Silmara Ishikawa, proprietária de uma banca de hortaliças, e Silvia Maria Gordo Aguilhar, que comercializa verduras e legumes na feira livre. Apesar de contar com uma grande oferta de mercadorias em sua banca, Silmara aponta que a produção de hortaliças, em geral, diminuiu bastante. “É um prejuízo de quase 70%”, diz.

Para amenizar o efeito devastador do excesso de chuvas na produção, Silmara conta que seu pai, produtor agrícola, cultiva os alimentos em uma hora coberta. Silvia trabalha de forma semelhante. Para proteger a plantação, ela utiliza uma estufa. Mesmo assim, lamenta que a qualidade dos alimentos ainda é inferior às mercadorias vendidas em outras épocas do ano.

“Com a chuva, o alface não desenvolve e a raiz da couve apodrece. As verduras, agora, estão mais sensíveis. No inverno, elas ficam bem mais bonitas”, diz Silvia.

Na falta de hortaliças de boa qualidade, chuchu, abobrinha, batata, cenoura, tomate, entre outros legumes, incrementam as refeições da família da dona de casa Ramona Santos. “As verduras não estão muito boas e estão mais caras. Estou comprando, mas em menor quantidade, e procuro substituir a salada com legumes”, conta.

A dona de casa Leonildes Bicoffi, dona de casa, também adota a mesma tática de Leonildes. “Não temos muita opção. Compro alface, mas como ela está mais cara, aumento a quantidade de abobrinha e chuchu, que estão mais baratos”, diz.

Mesmo pagando mais caro, muitas pessoas não tiraram as hortaliças da mesa. É o caso da dona de casa Márcia Santos e seu marido, o agente de fiscalização financeira Manoel Santos. “A qualidade está inferior por conta das chuvas e o preço está mais caro”, observa ela. “Mas nós estamos acostumados a consumir verduras e por isto não deixamos de comprar”, aponta.

A atendente Maria Cabreira, de Agudos, também não dispensa a salada de hortaliças. “Os legumes estão melhores e um pouco mais baratos, mas mesmo assim, não podemos deixar de comer verdura”, diz.