07 de julho de 2026
Geral

Protetor é necessário mesmo sem sol

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 5 min

Verão com sol, piscina, férias, praia, mar - ou mesmo com tempo nublado - sempre exige protetor solar. Uma “regra” já difundida entre a população brasileira desde a década de 80, mas nem sempre “respeitada”. Usar um produto que protege a pele dos raios UVA e UVB não é passaporte para ficar exposto ao sol, nem mesmo em dias nublados.

A exposição ao sol requer cuidados que vão além do simples uso do filtro. Para que a pele fique realmente protegida, é preciso usar a quantidade certa e de maneira correta. A reaplicação também não deve ser esquecida.

A farmacêutica Paula Renata Carazzatto alerta que o uso de protetor deve ser constante e em todas as estações do ano. “Moramos em um país tropical, onde o índice de ultravioleta está sempre muito próximo do máximo, ou seja, é extremamente alto. Os brasileiros correm o risco todos os meses do ano. Nem mesmo no inverno o índice é muito menor, nunca vamos ter um índice UV como o dos países Europeus. O Brasil está numa posição privilegiada pela incidência do sol”, comenta.

Segundo Carazzatto, um erro comum vem sendo cometido pela população em relação ao uso de protetores. “As pessoas acham que passando um protetor solar sobre a pele podem ficar expostas ao sol por tempo indeterminado. É preciso fazer a reaplicação toda vez que entrar e sair da água e até quando enxugar o suor do corpo”, aponta.

Para formar a película protetora contra os raios ultravioletas, o produto tem que ser usado em quantidade suficiente, adverte a farmacêutica. “Quando se faz o teste para determinar o FPS do produto, tem-se uma quantia determinada para a proteção, em gramas, para cada área de cobertura. Para o usuário que não tem como pesar, existe uma regra simples: fazer um risco com o produto na palma da mão, da base do dedo médio até o final da mão onde começa o punho.”

Cada porção é ideal para fazer a cobertura de cada área. “Na face, para cada braço, cada perna, tronco e costas. Embora a face seja muito menor do que as pernas, a quantidade é a mesma porque a incidência dos raios solares sobre essa parte do corpo é maior”, lembra a farmacêutica.

Para ela, o uso de filtro solar está bastante difundido para a população, entretanto há equívocos que devem ser corrigidos para que os efeitos não sejam prejudicados. “Além da quantidade é necessário que o produto seja aplicado corretamente, uniformemente em todas as partes que ficarão expostas ao sol.”

Mesmo com todos os requisitos em dia, a proteção total ainda está longe de ser alcançada, avisa a farmacêutica. “Não há produto que proteja 100% a pele dos raios ultravioletas. Por isso é importante fazer reaplicações do protetor a pelo menos cada duas horas para não comprometer o resultado. A transpiração e o ato de enxugar pode comprometer alguma região do corpo. Esse fato aliado ao horário de exposição e a pré- disposição genética pode gerar manchas localizadas e até melanomas.”

O melhor filtro solar

Paula Carazzato é enfática ao dizer que o melhor filtro solar é aquele que a pessoa usa, porque não resolve ter um filtro de alto fator de proteção se ele não é usado e reaplicado para atender as necessidades da pele.

“É um engano pensar que passando o mais alto fator em quantidade errada vou ter proteção. O que acontece muito é que a pessoa adquire um produto de alta proteção, paga caro e depois economiza na hora de aplicar. É preferível usar um fator menor e aplicar em quantidades generosas do que usar um fator 100 e usar uma quantidade insuficiente.”

Para definir qual o melhor produto a ser usado, vale a pena fazer uma visita ao dermatologista. “De modo geral, a pele mais clara exige fator de proteção maior e a pele escura, menor. O melhor mesmo é consultar o médico.”

A utilização do protetor solar, segundo a farmacêutica, evita a formação do eritema. “É o vermelho causado pela queimadura, que nada mais é que uma reação inflamatória da pele. Quando a pele fica assim e arde, você sabe que precisa sair do sol. É um mecanismo de defesa, essa inflamação é um alerta que você já se expôs muito”, explica.

O filtro solar só age quando está sob a radiação. “Dentro de casa a pessoa está protegida. A luz fluorescente não tem o mesmo poder da radiação da ultravioleta. Ela tem o cumprimento de ondas como a luz do dia. Pode até manchar a pele, mas não é tão perigosa quanto a luz UV,”, finaliza.

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Um belo bronzeado

Nem todo mundo vai conseguir a cor do verão, pois cada tipo de pele tem um limite de bronzeamento. A pigmentação duradoura é gerada pela luz ultravioleta A (UVA), embora a pele fique exposta a radiação da UVA e UVB. Essa radiação é mais incidente no começo da manhã e no final da tarde, explica a farmacêutica. “Durante todo o dia tem UVA e UVB. No período da manhã, até 11h e depois das 15h (no horário de verão), pela posição que o sol está, o UVB é menos incidente e o UVA é mais incidente.”

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Mitos

• Protetor tem que ser passado algumas horas antes da exposição ao sol? Não é preciso, porque ele só vai agir sob a radiação.

• Usar filtro de alto fator de proteção me autoriza a ficar exposto ao sol por tempo indeterminado? Não.

• A exposição ao sol não é cumulativa? Muito pelo contrário, o sol que você toma na infância se acumula pelo decorrer de sua vida.

• Filtro solar é cosmético? Não é. O filtro solar é um agente terapêutico.

• É possível definir o fator de proteção dos batons e lápis labial? Não, porque o lábio é vermelho e não é possível avaliar se ele fica mais ou menos vermelho com a radiação.