Por uma ninharia a região de Bauru, todo o Sudeste e até outras partes do Brasil poderiam sofrer um apagão. Cerca de 150 cantoneiras metálicas que ajudam na sustentação de seis torres de transmissão de energia elétrica instaladas no município de Bauru foram furtadas para serem vendidas como ferro-velho. Se não fossem consertadas rapidamente, sem a barras de sustentação, com vento um pouco mais forte, as torres poderiam cair causando, em efeito dominó, queda de energia em grandes proporções.
Segundo a assessoria de imprensa da Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (Cteep), as peças foram retiradas de torres de três linhas diferentes de transmissão de energia elétrica produzida em Ilha Solteira e Jupiá que passam por Bauru. Apesar da empresa não ter calculado os danos em caso de eventual queda de uma ou até das seis torres, houve risco real de apagão, ressalta o Sindicato dos Eletricitários.
A Cteep informou que a extensão da área que poderia ser atingida por apagão caso as torres caíssem dependeria do número de linhas rompidas. A empresa responde pelo transporte de um terço de toda energia consumida no País. São 11.780 quilômetros de linhas de transmissão aérea em todo o Estado de São Paulo e 102 subestações.
Três das torres afetadas pelo furto ligam as subestações de Bauru e Araraquara. Duas outras torres fazem parte da linha entre Bauru e Sorocaba e uma última torre fica na linha de alta tensão que liga as subestações de Bauru e Cabreúva.
Cerca de 150 cantoneiras que ajudam a fixar as treliças que compõem a estrutura das torres foram furtadas. A retirada das peças deixou as torres frágeis. Porém, assim que o furto foi detectado, as cantoneiras foram repostas entre a sexta-feira, e o sábado.
O furto teria acontecido na sexta-feira em torres próximas ao Núcleo Gasparini e Vila São Paulo. Ontem, parte das cantoneiras foi recuperada pela Polícia Civil em um ferro-velho clandestino localizado na Pousada da Esperança 1. José Feliciano Ferreira, confirmou que comprou 96 cantoneiras como ferro-velho, de acordo com o delegado Carlos Creppe Jr., do 2º Distrito Policial, que apura o caso.
O quilo de ferro vale R$ 0,20. Portanto, as cantoneiras apreendidas no ferro-velho, que pesaram cerca de 200 quilos, renderam R$ 40,00. Por ter comprado material de furto, Ferreira foi autuado por receptação.
A Polícia Civil ainda não havia chegado aos autores do furto, mas o delegado ressaltou o prejuízo que a retirada das cantoneiras das torres poderia ter causado. “A retirada dessas estruturas poderia ter causado perdas a usuários domésticos e empresas, sem falar do risco que quem retirou as cantoneiras correu” diz.
As peças são afixadas em toda extensão das torres. Isso indica que quem as retirou deve ter escalado e se exposto ao risco de uma queda ou um choque fulminante.