08 de julho de 2026
Nacional

Lula pede apoio e defende democracia

Por Pedro Dias Leite e Valdo Cruz | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - Num ato que marca o início de fato do segundo mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) com compromissos econômicos, políticos e sociais. Prometeu mais crescimento dentro “dos limites de segurança”, defendendo a manutenção de alguma disciplina fiscal. Reafirmou seu compromisso com as liberdades democráticas, ao dizer que “aqui não se cresce sacrificando a democracia”, palavra repetida sete vezes em menos de 15 minutos. Anunciou ainda futuros pacotes para a área social, como educação e segurança pública, dizendo ser “tempo, outra vez, de acumularmos matéria-prima de sonho e de utopia”.

Lula insistiu ainda na tecla de que é preciso crescer “de maneira correta, porém de forma mais acelerada”. “Quando falamos em avançar, não se trata, como dizia aquela antiga canção da Jovem Guarda, de entrar na rua Augusta a 120 km/h, mas de acelerar com firmeza, na estrada certa, na hora certa, mantidos os limites ideais de segurança. O que não podemos é ter medo de andar na velocidade correta, mesmo que para isso tenhamos que ultrapassar os retardatários e nos livrar de algum peso.”

Em nenhum momento, Lula mencionou metas. Logo após a campanha, prometeu um crescimento de 5%, que já sumiu de seus pronunciamentos. Assistiam ao discurso no Planalto 25 dos 27 governadores do País e presidentes e líderes de 11 partidos, além de ministros, deputados, senadores e empresários. Lula pediu apoio. “A disputa política é envolvente e apaixonante, mas não podemos deixar que nossa energia se dissipe e a oportunidade histórica se perca. O PAC depende de forma vital do apoio do Congresso.”

Numa aparente tentativa de distanciamento do venezuelano Hugo Chávez, que visitou o Brasil na semana passada e é acusado de atentar contra as liberdades democráticas, Lula disse que “a democracia é um ambiente mais saudável para o crescimento”. “Pouco me interessaria um aumento expressivo do PIB se isso implicasse, o mínimo que fosse, redução das liberdades democráticas. Assim como não adianta crescer sem distribuir, não adianta crescer sem democratizar.”

Além do crescimento econômico, disse que o PAC engloba a “aceleração” das reformas política e tributária. Com palavras cuidadosamente escolhidas para evitar a expressão “reforma da Previdência”, afirmou que o pacote inclui também a “aceleração do aperfeiçoamento do sistema previdenciário”. O presidente não se esqueceu dos setores sociais que o apóiam e lançou, como ele próprio definiu, um “novo conceito, de infra-estrutura social”, que engloba investimentos em setores como habitação, saneamento e transportes.