O dado é nacional, mas pode ser aplicado a Bauru: 75% dos cemitérios municipais e 25% dos particulares contaminam o solo. O percentual foi obtido por intermédio de pesquisa realizada em 780 cemitérios do País. Os públicos do município também foram visitados, em meados da década de 90, pelo geólogo Lezíro Marques Silva, que participou do trabalho.
Pesquisador e professor universitário, ele trabalhou por 35 anos na Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), por onde aposentou-se recentemente. Silva, no entanto, não avaliou especificamente o solo de Bauru, mas acredita na sua contaminação não só por uma questão de isonomia geológica, já que os da região apresentam problemas.
Ele também aponta a falta de legislação para regulamentar o setor como justificativa para sua avaliação. O controle dos cemitérios por parte da Cetesb, por exemplo, só começou em dezembro de 2002. Desde então, ampliações ou empreendimentos novos dependem de licença ambiental. A anuência também deve partir da Secretaria Municipal do Meio Ambiente.
Mas segundo Silva, a primeira norma técnica só foi elaborada pela Cetesb em 1987. Depois, foi revisada em 1989. Está em vigência desde então. Antes disso, havia apenas Código Sanitário do Estado de São Paulo, promulgado em 1968.
“Ele não falava muito sobre cemitérios. Depois, em 2003, conseguimos promulgar no Ministério do Meio Ambiente, no Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), a resolução número 335. No ano passado, fizemos uma revisão dessa norma, que chama-se Resolução Conama 368”, explica Silva.
Enquanto as adequações exigidas foram ditadas recentemente, o cemitério municipal mais novo de Bauru tem 26 anos (Cristo Rei). O da Saudade completará seu centenário em 2008, segundo informações da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb).
O órgão, assim como a Cetesb, ainda não realizou estudos técnicos para confirmar eventuais contaminações de solo. A medida, no entanto, será adotada pela Emdurb, futuramente.
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Tecnologia
Algumas técnicas evitariam a contaminação do solo provocada por cemitérios. A mais barata e conhecida delas é a colocação de cal virgem na cova. “Nós desenvolvemos algumas tecnologias e nenhuma foi patenteada. Todas foram colocadas em domínio público”, comenta o geólogo Lezíro Marques Silva.
A partir da pesquisa realizada por ele, foram publicados 30 trabalhos com recomendações. Num deles consta um pó desenvolvido por numa empresa de Nova Odessa (SP). Utilizado como se fosse uma manta sob o caixão, ele absorve e neutraliza o necrochorume.
Um outro produto, também desenvolvido pela mesma empresa, tem o intuito de absorver o líquido da decomposição, desinfetar e neutralizá-lo. Como ainda não há regras para a realização de sepultamentos, em Bauru, o coveiro e seu ajudante usam luvas e máscaras, informa a Emdurb.
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Muro
O muro do Cemitério da Saudade, que circunda o prédio entre a avenida Rodrigues Alves e a rua Hermínio Pinto, está penso. Engenheiros da Emdurb farão vistoria no local para estabelecer providências a serem tomadas.
Os muros e as gavetas de cemitérios estão sujeitos a infiltração de necrochorume. “Parece uma mancha de gordura no reboque. Se chegar perto, dá para sentir um cheiro horrível”, conclui o geólogo Lezíro Silva, que também é professor.