Brasília - Na tentativa de reduzir o poder do PT e do PMDB na Câmara, que elegeram as duas maiores bancadas da próxima legislatura, o PSDB e o PFL buscam alianças com partidos menores. Essas alianças, se concretizadas, podem tirar dos partidos aliados do governo cargos de comando na Casa Legislativa.
A reportagem apurou que lideranças do PMDB e PT estão atentas ao movimento do PSDB e PFL e preparam-se para contra-atacar as articulações dos oposicionistas. O PSDB, por exemplo, já iniciou as conversas com o PPS para a formação de um bloco parlamentar que pode reunir até 88 deputados - cinco a mais que a bancada do PT, que elegeu 83 parlamentares. O assunto vem sendo tratado sigilosamente para não estimular movimentos de outras legendas, mas um estudo já foi elaborado pelo PPS indicando dois cenários.
O primeiro cenário, leva em conta um bloco integrado pelo PPS-PSDB. Neste caso, as legendas teriam direito a dois cargos na Mesa Diretora da Câmara - a 1.ª vice-presidência e a 3.ª Secretaria -, além da presidência de três comissões e a liderança da minoria. Sem o bloco, o PPS não teria direito a cargos na Mesa e o PSDB, somente uma vaga. O segundo cenário inclui no bloco o PTC e o PT do B, o que totalizaria 92 deputados. Esse número tornaria o bloco a maior força política da Casa, superando inclusive o PMDB, que elegeu 89 deputados.
A união também permite aos partidos as primeiras duas escolhas na Mesa Diretora, hoje garantidas ao PT e PMDB, além da liderança da maioria, a presidência de quatro comissões - entre elas a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a mais visada pelos partidos.
No PPS, a avaliação é que a partir do momento em que deputados contrários à aliança com os tucanos perceberem que o partido se tornará a segunda maior força na Câmara, o bloco poderá se viabilizar. “Na política, tudo é possível, mas essa é uma conversa difícil. Por enquanto são conversas informais, temos que consultar a bancada. Teremos um bloco que será a segunda maior força da Casa”, disse o líder do PPS na Câmara, deputado Fernando Coruja (SC).
O PFL também articula formar um bloco com o PTC - partido do deputado eleito Clodovil Hernandez (SP). A reportagem apurou que o acordo vem sendo costurado pelo presidente do partido, senador Jorge Bornhausen (PFL-SC). Até agora, o único bloco parlamentar consolidado para a próxima legislatura é integrado pelo PC do B e PSB.
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Na espera
Brasília - O PT e o PMDB, os dois partidos com o maior número de deputados eleitos na Câmara, só devem formar blocos parlamentares na próxima legislatura para reagir às iniciativas de outras legendas. A avaliação de lideranças dos dois partidos é que não vale a pena, neste momento, integrar blocos com outras legendas uma vez que já possuem hegemonia na Casa Legislativa.
O PMDB e o PT descartam formar um bloco integrado unicamente pelos dois partidos, já que não poderiam atuar de forma independente na Câmara.
O regimento da Casa obriga que o bloco tenha um líder responsável por falar pelos partidos que o integram em plenário, assinar emendas parlamentares, destaques e projetos. Somente a estrutura física dos partidos em separado é mantida após a formação do bloco.
Diante das amarras do regimento, as duas legendas admitem que podem formar blocos somente com os chamados partidos nanicos.
O PMDB, que elegeu 89 deputados, mira o PHS, com dois parlamentares, e o PTC, com três deputados eleitos. “O objetivo do bloco é buscar espaço de poder. Os partidos que já têm um grande número de parlamentares já têm seus espaços garantidos”, disse o líder do PMDB na Câmara, deputado Wilson Santiago (PB). O líder admite que vai procurar outras legendas somente se houver ameaças ao PMDB que representem a redução de poderes ao partido na Câmara.
Com 41 parlamentares, o PP também já se articula para não perder direito a uma vaga de titular na Mesa Diretora. O líder do partido, deputado Mário Negromonte (BA), recebeu o aval da bancada para formar bloco sem consultar os colegas de partido caso a legenda esteja ameaçada de perder poderes.
Pela regra da proporcionalidade, as escolhas de cargos no comando da Câmara seguem a seguinte ordem: PMDB, PT, PSDB, PFL, PMDB, PP e PT. Já o PSB, o PR, o PDT e o PTB têm direito a escolher vagas na suplência. O cenário, no entanto, pode ser modificado se os partidos efetivarem os blocos parlamentares.