Brasília - Anteontem, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu reduzir a taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 ponto percentual, passando de 13,25% para 13,0% ao ano. Essa foi a 13.ª vez consecutiva que o Copom decide pelo corte de juros. Desde 2005, a Selic foi reduzida em 6,5 pontos percentuais. Com os juros mais baixos, o consumo no País pode aumentar, contribuindo para a melhoria do crescimento da economia.
Além disso, com a Selic mais baixa, os bancos e instituições financeiras acompanham a tendência de reduzir juros dos empréstimos para consumidores e empresas.
O corte de 0,25 ponto percentual pode fazer baixar as taxas de juros das principais operações de crédito para o consumidor. Os juros mensais do cartão de crédito, por exemplo, devem cair de 10,33% ao mês para 10,31%. As taxas de cheque especial também diminuem, passando de 7,92% para 7,90%. A tendência permanece nos juros no comércio, que devem diminuir de 6,12% ao mês para 6,10%.
Para o governador de São Paulo, José Serra, a redução na Selic é contraditória à estratégia de crescimento econômico do governo federal e as intenções do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). O governador disse que, após examinar o PAC, chegou à conclusão de que não se trata de um plano de crescimento, mas de um ordenamento dos investimentos públicos.
Além disso, o governador afirmou que o pacote anunciado pelo governo federal na última segunda-feira depende muito dos investimentos privados, “o que já vem sendo feito.” “O impacto macroeconômico do PAC é muito pequeno do ponto de vista dos investimentos públicos”, afirmou. O governador disse ainda que o plano do governo federal não estipula montantes para investimentos como o Rodoanel.
Já o ministro de Relações Institucionais, Tarso Genro, disse ontem que a decisão do Copom de diminuir o ritmo da queda da taxa básica de juros não reverterá a expectativa de crescimento econômico. “Isso não se contrapõe ao PAC”, afirmou.
Tarso acrescentou que o presidente Lula não “politizou” a questão da taxa básica de juros. Destacou ainda que a decisão do Copom não terá impacto nas expectativas dos que defendem o PAC.
Na avaliação dele, o que gera crescimento econômico são “medidas de Estado”, como as incluídas no PAC, e uma expectativa positiva em relação à taxa de juros. Genro lembrou que o programa prevê a construção de obras tocadas pela iniciativa privada e financiadas pelo governo.
Dirceu
Ele não comentou a declaração divulgada ontem pelo ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, que sugeriu a renúncia do presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, por considerar que a decisão do Copom foi contrária ao crescimento da economia. “Essa é uma opinião do José Dirceu. No governo, não há nenhum comentário sobre isso”, afirmou.
Ele disse não considerar precipitada a decisão do governo de anunciar as medidas do PAC da economia antes da reunião do Copom. “Seria equivocado anunciar o conteúdo do PAC depois da decisão do BC. Acho que o PAC foi levado em conta pelo Banco Central”, declarou.