10 de julho de 2026
Nacional

Bolo de 8 toneladas dura 5 segundos no aniversário de SP

Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

São Paulo - Seis dias para o bolo ficar pronto e, no final, bastaram cinco segundos para ele desaparecer. As mais de 6 mil pessoas que compareceram ao Bexiga (região central) ontem nem esperaram o “Parabéns a Você”, em homenagem aos 453 anos de São Paulo.

Cinco minutos antes do meio-dia - horário previsto para a “largada” - a multidão avançou sobre o bolo, considerado pela organização do evento o maior do mundo, com oito toneladas e 453 metros de comprimento - um para cada ano da cidade. Nem os 40 seguranças particulares contratados este ano para conter a ansiedade das pessoas foram suficientes para impedir que o bolo fosse atacado antes dos “Parabéns”.

Para a massa do bolo, foram necessários 1.503 quilos de farinha de trigo, 644 quilos de margarina, 82 quilos de fermento em pó, 13.202 ovos, 1.150 litros de leite e 55 quilos de coco ralado. Já a cobertura levou mil quilos de “marshmallow”, mil litros de leite e 150 quilos de confeitos coloridos. Apesar dos números grandiosos, teve gente que não conseguiu levar o bolo para casa.

O professor Ronaldo Almeida, 34 anos, deixou para chegar ao meio-dia em ponto e acabou não vendo nada da festa. “Não era para começar ao meio-dia?”, perguntava ele, enquanto os 300 funcionários envolvidos no evento já desmontavam as mesas onde o bolo havia sido colocado. Já a dona de casa Telma Ferreira da Silva, 45 anos, encheu uma enorme bacia. Levou bolo para a família toda. Além dos filhos, Telma trouxe as sobrinhas que moram em Recife.

Pela primeira vez no evento, os administradores Daniel Mahseredjian, 26 anos, e Silvio Fontes, 25 anos, também saíram de bacia cheia. “Viemos pela farra, mas vamos levar o bolo para as nossas namoradas”, disse Fontes. O faxineiro Dérgio Paulo, 32 anos, que foi um dos primeiros a chegar - às 4h30 -, estava com uma vasilha de plástico para garantir o seu pedaço.

No ano passado, uma buzina fora de hora da bicicleta de Jorge Monteiro Silva, 37 anos, confundiu o público e antecipou em 20 minutos o ataque ao tradicional bolo. Este ano, foi ao evento, estacionou a bicicleta longe da rua Rui Barbosa, e, ao microfone, pediu perdão pela confusão do último aniversário.

Protestos

Um persistente coro de sem-teto perseguiu o governador José Serra (PSDB) e o prefeito Gilberto Kassab (PFL) durante as cerimônias de comemoração do 453.º aniversário de São Paulo, ontem. Mais que duradouros, os gritos de “queremos moradia” conseguiram abafar a execução do Hino Nacional, os discursos dos dois, todas as salvas de palmas dedicadas a eles e até a inauguração da recém-revitalizada praça da Sé.

Os protestos dos sem-teto começaram logo que o prefeito deixou a catedral da Sé, onde havia sido realizada uma missa em homenagem a São Paulo. Com passos determinados, ele cruzou a praça da Sé sem comentar a inauguração do novo projeto, que custou R$ 4 milhões, e alheio às faixas e aos gritos que o acusavam de ser “higienista”. O prefeito parou apenas para tentar puxar um coro de “São Paulo, São Paulo” que durou poucos minutos.

No Pátio do Colégio, um esquema de isolamento com gradis e cordões da Guarda Civil Metropolitana (GCM) aguardava a chegada do prefeito e do governador. Durante a cerimônia, o bispo Luiz Stringhini, que levava um adesivo da Prefeitura de São Paulo no peito, tentou convencer os sem-teto - muitos com estrelas do PT no peito e camisetas do PSB - a parar de protestar e a negociar diretamente com o prefeito. Stringhini acabou encurralado pelas reclamações sobre a suposta falta de atenção à questão.

Irritado, Serra chegou a reagir contra os manifestantes ao tentar transformar as vaias que abafaram uma homenagem ao Corpo de Bombeiros de São Paulo em uma ofensa. “Há quem prefira vaiar os bombeiros. Como vimos aqui, eles vaiam os bombeiros.”

Os manifestantes não o ouviram. Minutos antes, na tentativa de ressaltar os programas sociais tucanos, Serra dizia que “às vezes, os aparentemente mais fracos são os maiores”. Horas depois, longe do tumulto, Kassab ressaltou o fato de que os protestos tiveram motivação política e disse que insistiu em passar entre os manifestantes, na praça da Sé, para unir-se “à grande maioria, que queria festejar São Paulo”.