11 de julho de 2026
Geral

Homem consome 25% mais recursos naturais do que a Terra é capaz de repor

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

O homem está consumindo anualmente 25% mais recursos naturais do que a Terra é capaz de repor. Se a situação não for invertida, no futuro a vida ficará insustentável. No ritmo atual de consumo, de crescimento populacional, evolução tecnológica e desenvolvimento econômico, daqui a 40 anos, mais ou menos, serão precisos dois planetas Terra para atender as necessidades da humanidade.

O alerta foi dado pela World Wild Life (WWF) em seu Relatório Planeta Vivo 2006, divulgado no fim do ano passado. Segundo o documento, o Brasil está na média do consumo mundial, mas ainda assim a população está consumindo mais do que o planeta tem condições de repor. A WWF é uma organização não-governamental (ONG) que integra uma das maiores redes mundiais de conservação do meio ambiente.

Os números gerais indicam uma acentuada perda de recursos naturais. De acordo com o relatório, o ponto de equilíbrio entre o consumo e a regeneração dos recursos naturais do planeta seria equivalente a 1,8 hectare global por ano por pessoa. Porém, o documento mostra que é preciso mais do que isso para manter os padrões de vida atuais. O consumo médio anual tem sido de 2,2 hectares globais por pessoa. Ou seja, 22% mais do que a capacidade da Terra de se renovar.

A medida utilizada pela ONG é a “pegada ecológica”, que considera a quantidade de terra produtiva, água e demais recursos necessários para produzir o que um indivíduo consome e para absorver o resíduo que ele gera.

No cálculo da “pegada ecológica” é computada também a área necessária para absorção do gás carbônico emitido a partir da queima de combustíveis fósseis. Deixar de emitir tais gases é uma forma de prolongar a “vida útil” do planeta.

Segundo o relatório, se uma vez por semana uma pessoa deixar o carro na garagem e ir trabalhar de ônibus ou de carona, considerando um trajeto de 20 quilômetros, ao longo de um ano inteiro, deixará de lançar na atmosfera 440 quilos de gás carbônico, como resultado da queima do combustível. De acordo com o documento, a quantidade de gás carbônico que o veículo iria produzir nos 52 dias que ficou na garagem demora 20 anos para ser absorvida pelo processo de fotossíntese por uma árvore de grande porte.

Água

Outro assunto abordado no relatório é a maneira como a água doce vem sendo utilizada no planeta. A superfície da Terra é coberta quase que 70% por água. No entanto, desse total, apenas 4%, aproximadamente, é constituído de água doce. Ou seja, de água própria para o consumo. O restante é formado por oceanos.

Do total de água doce do mundo, 70% são de gelo e 30% são reservas subterrâneas de água. Menos de 1% enche rios, lagos, é corrente e fica nas zonas pantanosas da Terra.

De acordo com o documento da WWF, apesar da água doce não ser considerada um recurso escasso, grande parte dela está em locais geograficamente inacessíveis.

A parte que pode ser captada não tem tido um aproveitamento eficiente, segundo o relatório. A alteração e a retenção de cursos d’água para o uso industrial, o abastecimento doméstico, a irrigação e a energia hidrelétrica fragmentaram mais da metade dos maiores sistemas fluviais do mundo.

A fragmentação e a alteração dos fluxos naturais afetam a produtividade dos pântanos e prejudicam a migração e dispersão dos peixes, reduzindo assim as espécies em água doce.

De acordo com o relatório, desde os últimos anos da década de 80 que o consumo humano vem superando a capacidade da natureza de se recompor. “O grande desafio é aumentar a qualidade de vida e reduzir o impacto sobre o meio ambiente”, diz Denise Hamú, secretária-geral da WWF-Brasil.

A seguir no ritmo atual, torna-se cada vez mais provável a exaustão dos ativos ecológicos e o colapso do ecossistema, segundo o documento.

Para evitar que isso ocorra será necessário investir a longo prazo em diversas áreas, tais como educação, tecnologia, conservação, planejamento urbano e familiar.