Uma das questões que mais preocupam os trabalhadores da iniciativa privada hoje em dia é como proceder para reduzir ao máximo a possibilidade de ser demitido. Segundo especialistas no assunto, uma das saídas é investir no aprimoramento pessoal. Quanto maior for o número de cursos complementares, menores serão as chances de demissão. Ou então, mais fácil ficará para uma nova colocação no mercado de trabalho.
Por conta das exigências profissionais cada vez maiores, apenas o curso de graduação já não está sendo suficiente para garantir uma vaga nas médias e grandes empresas. Além disso, tornou-se obrigatório conhecimentos extras, como cursos de idioma (só o inglês também não está bastando em alguns casos), cursos pontuais que ampliem o repertório (marketing, gestão, criatividade, redação), MBA ou pós-graduação.
Seja qual for a área de atuação, as pessoas precisam ficar atentas às mudanças e, para isso, é necessário manter-se sempre atualizado.
De acordo com o consultor e psicólogo organizacional Marcelo Herrera Gonçales, especializado em treinamento e desenvolvimento humano, uma forma de garantir a empregabilidade é estar sempre atento às oportunidades dentro e fora da empresa.
Isso, segundo ele, passa necessariamente, pelo desenvolvimento de novas competências, pelo aprimoramento da auto-crítica, da auto-estima e pela manutenção de uma postura ética. Outro ponto destacado por Gonçales é a importância de se planejar o desenvolvimento profissional. Ou seja, buscar aperfeiçoar a bagagem técnica e cultural como forma de se manter “empregável”.
Em seu livro “Emprego Não Cai do Céu”, o administrador de empresas Henrique Flory diz que boa parte do sucesso de uma carreira começa pela escolha da profissão.
Feito isso, o próximo passo é identificar quais são os pontos fracos e trabalhar para superá-los. Por outro lado, é preciso dar mais visibilidade aos pontos fortes e saber como fazer o marketing pessoal tanto dentro quanto fora da empresa para se manter atraente dentro da profissão.
Segundo Flory, o mercado de trabalho está muito dinâmico. Se o empregado não estiver constantemente prestando a atenção e agindo para melhorar seus “indicadores de performance”, ele pode deixar de ser atraente para a empresa. “Nos dias de hoje, estagnação significa queda”, declara ele.
A visão é a mesma de Gonçales. Na avaliação dele, as chances de sucesso no mercado de trabalho aumentam na medida que o trabalhador se adapta às regras do mundo globalizado. “Percebemos que vagas não estão sendo preenchidas pela falta de qualificação profissional. Isso porque ainda existe uma dificuldade em admitir o aprendizado de novas habilidades”, afirma.
Ele usa como exemplo a preocupação que deve haver em se aprender uma nova língua. Em caso de empate entre candidatos, essa habilidade pode fazer toda a diferença na hora da escolha, segundo Gonçales.
Ciente disso, Bruno Astolfi, 19 anos, não perdeu tempo. Este ano, ele inicia seu terceiro curso de línguas. Com o inglês e o espanhol já em nível avançado, ele está dando início ao curso de francês.
Com o conhecimento adquirido até agora vai começar a dar aulas para um grupo de alunos pré-adolescentes. Mas o objetivo principal, segundo ele, é se formar jornalista. Atento à competição acirrada que existe nessa profissão, ele acredita que saber falar vários idiomas pode pesar a favor. “O que vai decidir é o conjunto do profissional. Tem de ter iniciativa, saber escrever bem e para isso tem de dominar o português. Mas em caso de empate, saber outras línguas poderá ser decisivo”, pondera.