08 de julho de 2026
Regional

Frutas são vítimas dos fungos

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 2 min

Itápolis – O produtores orgânicos do município de Itápolis (a 100 quilômetros de Bauru) estão deixando de exportar devido a perdas de frutas com o longo período de chuva. Atualmente, 80 integrantes da Cooperativa dos Agropecuaristas Solidários de Itápolis (Coagrosol) colocam manga, limão, laranja e goiaba no mercado europeu e no Canadá. Agora, é época de colheita da manga, no entanto. o fungo provocado pela umidade da chuva excessiva está atingindo a casca da fruta, que fica imprópria para o consumo in natura ou para o processamento industrial. Também a colheita do limão apresenta perda de 20% a 30%. O cítrico não pode ser colhido molhado, o que obriga o retardo da colheita. O atraso faz com que os produtores não vendam para o Exterior e sejam obrigados a redirecionar o produto para o mercado interno. O diretor da Coagrosol, Reginaldo Vicentim, explica que o limão no mercado brasileiro acaba perdendo o valor agregado, o que permitiria negociar preços mais elevados na exportação. Segundo Vicentim, 40% da produção de frutas da cooperativa utiliza o sistema orgânico, sem a aplicação de agrotóxicos. A produção vem de pequenas e médias propriedades rurais. Ele ressalta que a Coagrosol exporta 200 mil caixas de 40,8 quilos de laranja por ano, 100 mil caixas de limão, 1.200 toneladas de manga por ano e 600 toneladas de goiaba a cada ano. Toda essa produção depende essencialmente do clima, mas também da qualidade de estradas rurais para ser escoada. E, de acordo com Vicentim, grande parte das vias de terra ficou intransitável após as chuvas, prejudicando o transporte das frutas.

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Clima de risco

Ibitinga - O responsável pela Casa da Agricultura de Ibitinga (a 90 quilômetros de Bauru), o engenheiro agrônomo Alcides dos Santos Moreira, teme perdas ainda maiores principalmente com a laranja. Itápolis é considerada a maior produtora mundial de laranjas, com 10,5 milhões de pés da fruta. O excesso de chuva, segundo Moreira, lava a casca da fruta, retirando uma proteção natural, uma espécie de filtro, que livra a laranja de pragas, fungos causadores de doenças e o efeito nocivo do excesso de exposição ao sol. Para o agrônomo, há risco da laranja queimar em virtude de uma transição irregular entre os períodos extremos: hora apenas chove e depois a fruta é castigada por um sol abundante. Diante disso, ele arrisca projetar o ataque do furão aos pomares. Também as lavouras de café podem, na opinião do agrônomo, serem atingidas pela ferrugem. O amendoim é outra cultura bastante delicada e ameaçada pelo longo período de chuvas. Moreira explica que a cultura é atingida por fungos e não é possível o manejo dos pés com a aplicação de fungicidas.