08 de julho de 2026
Ser

Vinho, o hit da estação

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 4 min

O vinho já foi considerado a bebida exclusiva dos nobres. Atualmente, porém, ele está cada vez mais popularizado e acessível a todas as pessoas. Algumas delas, inclusive, fazem questão de armazenar as garrafas em suas próprias casas, nas adegas climatizadas, um dos hits do momento. É o caso do advogado Guilherme Lopes Mair. Há aproximadamente dois anos, ele adquiriu uma adega com capacidade para 40 garrafas de vinho e colocou-a na sala do seu apartamento.

Nos finais de semana, Guilherme costuma saborear o fermentado sozinho ou na companhia de amigos. Uma de suas combinações preferidas é o vinho tinto servido com massas ou frios. “Mas bebo os brancos, rosés e espumantes também. Não tenho preconceito em relação aos tipos de vinhos”, diz, bem-humorado.

O clima de descontração, inclusive, combina com a degustação de vinhos. Isso porque a bebida têm conquistado cada vez mais espaço em festas, casamentos e reuniões de amigos. Churrascos, por exemplo, são ocasiões ideais para se consumir o fermentado, destaca o empresário e especialista em vinhos Jefferson Previero.

O melhor acompanhamento para carnes e aves é o vinho, e não a típica cervejinha, aponta Jefferson. “O vinho é altamente digestivo e, quando se toma cerveja acompanhada de churrasco, a pessoa pode ficar com a sensação de estar ‘cheia’. Uma dica é começar com os brancos, que são mais leves e depois migrar para os tintos”, ensina.

O sommelier e gerente administrativo da Vinícola Aurora Michel Bica concorda com Jefferson. “O vinho provoca uma sensação diferenciada e prazerosa. É uma boa combinação com as carnes, em geral. No Sul do País, é muito comum consumi-lo com churrasco e, no Sudeste, este comportamento está sendo cada vez mais freqüente”, observa ele, que realizou uma palestra sobre vinhos na última quinta-feira, em Bauru.

O sabor não é a única razão para a expansão do consumo de vinhos no Brasil. Grande parte deste “boom” é resultado da propaganda positiva que destaca os benefícios da bebida para a prevenção de problemas de saúde. O terceiro aspecto está relacionado à queda dos preços de vinhos nacionais e importados, diz Michel. Segundo ele, em geral, o mercado registra uma alta de 15% a 20% na comercialização do fermentado. “É possível encontrar bons exemplares de tintos e brancos que custam entre R$ 15,00 a R$ 30,00; e espumantes em torno de R$ 25,00 a R$ 30,00”, detalha.

Jefferson aponta que o vinho não virou, necessariamente, moda. O que está ocorrendo é uma mudança de paladar, explica. “As pessoas que gostavam de vinho de mesa, doce e mais simples, estão melhorando seu paladar. E, por outro lado, o produto chega com preços mais baixos e pode ser adquirido por mais pessoas”, analisa.

Guilherme tem opinião semelhante ao empresário. Ele conta que está percebendo um aumento de “paladares” apurados interessados em vinho. Prova disso é a Enoconfraria Bauruense, uma espécie de clube formado por dez amantes de vinhos. O advogado é um dos integrantes e conta que a confraria foi criada recentemente na cidade e tem como principais atividades a realização de reuniões mensais para trocar informações sobre vinhos. “Conversamos sobre assuntos como produção, safra, uva e degustamos a bebida também”, diz.

Segundo Guilherme, um dos aspectos do fermentado que mais o atrai é sua evolução histórica. “O mesmo vinho, com o mesmo rótulo, mas de safras diferentes, pode apresentar características diferentes.” Uma das marcas mais procuradas hoje é o tipo lambrusco, de origem italiana e o francês Cabernet Sauvignonde, aponta Jefferson

____________________ Combinações

Vinhos e carnes – Uma das regras básicas é a de que os vinhos brancos combinam com as carnes brancas, como frango e peixe; já o tinto forma ótima dupla com carnes vermelhas, com destaque especial para o churrasco.

Vinhos e massas – O que vale são os tipos de molhos, já que a massa é um simples condutor dos molhos. Massas com molho de tomate vermelho combinam com vinho tinto suave; se o molho tiver carne ou for mais encorpado, a dica é investir em tintos mais pesados. Massas com molho quatro queijos caem melhor com um vinhos brancos ou rosés mais suaves. A mesma sugestão vale para os molhos rosé ou ao pesto.

Vinhos e pizzas – A dupla agrada muitas pessoas. Os tintos mais pesados caem bem com pizza mais condimentadas, como a de calabresa. Já a pizza portuguesa acompanha bem os brancos e também os tintos suaves.

Temperatura ideal

- Tintos: 16º C

- Brancos e rosés: gelados

- Espumantes: muito gelados

Fontes: Sommelier Michel Bica e especialista em vinhos Jefferson Previero