O nível elevado de ácido úrico no sangue pode ser um fator de risco cardiovascular tão sério quanto as altas taxas de colesterol e de triglicérides, revelou uma pesquisa do Instituto do Coração (Incor).
Essa substância é produzida pelo organismo ao processar as proteínas. Em excesso, pode provocar cálculos renais e gota e, agora, como mostrou o estudo, está relacionada também à presença de calcificação nas artérias do coração.
O trabalho do Incor concluiu que, independentemente da presença de outros fatores de risco - como hipertensão, resistência à insulina e gordura abdominal, encontrados na “síndrome metabólica -, homens com nível elevado de ácido úrico no sangue têm três vezes e meia mais calcificação.
Essa situação, por sua vez, torna a pessoa de dez a 12 vezes mais suscetível ao infarto ou à morte súbita, em relação àquelas que não apresentam as placas nas coronárias, explica o cardiologista Raul Dias Santos, coordenador do estudo.
Foram analisados 370 executivos, com idade média de 47 anos, que se submeteram a check-ups entre 1999 e 2003. Aqueles que tinham ácido úrico acima de 7,1 mg/dL (miligramas por decilitro) no sangue - os níveis normais vão de 3 a 7 mg/dL - tinham progressivamente mais placas calcificadas nas artérias do coração.