Quando o assunto é moradia, cada pessoa tem uma opinião própria: enquanto alguns querem morar longe do barulho e da agitação dos carros, outros fazem de tudo para viver em locais próximos ao Centro; enquanto uns optam pela segurança dos condomínios, outros fazem questão da liberdade que só uma casa espaçosa pode proporcionar.
No caso dos estudantes, o fator que mais pesa na hora de escolher uma moradia é acessibilidade oferecida pelo lugar. Se a casa ou o apartamento ficarem próximos à faculdade, perfeito. Mas, se a residência escolhida estiver perto de algum corredor de ônibus, já ajuda bastante.
“Como grande parte dos universitários não possui carro, eles têm de encontrar um meio para facilitar sua locomoção até o local de estudos”, explica a presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci) de Bauru, Wânia Pôrto.
Em empreendimentos localizados nas áreas vizinhas às universidades públicas - Estadual Paulista (Unesp) e de São Paulo (USP), no caso -, a presença dos alunos é maciça. Eles chegam a representar 40% da população no Residencial Vila Verde e quase 60% no Vila Grená (ambos situados na zona leste de Bauru), por exemplo.
Liana Aparecida Paulucci da Silva é proprietária de um apart hotel que fica a poucas quadras da Unesp. Inaugurado em 1996, o local vive lotado. “Nos últimos seis anos, estivemos com a capacidade máxima esgotada”, garante ela.
É claro que, por ficar perto do campus, o apart hotel conta com a vantagem de estar bastante visível aos mais de 6.000 universitários que circulam pela região todos os dias. “A procura é tão grande que a maioria das vagas costuma ser preenchida já nos dias de matrícula”, afirma Silva.
No Vila Grená, condomínio localizado na zona leste, a busca por vagas para locação também é bastante acirrada no início do ano. “Quando chega dezembro, os estudantes que estão se formando geralmente devolvem apartamentos. Quem está afim de alugar tem de aproveitar essa época, senão pode dar adeus”, diz o zelador Osias Alves de Camargo.
Desde o final do ano passado, todos os 192 apartamentos existentes no Vila Verde, localizado ao lado do Vila Grená, encontram-se ocupados. “Não há vaga nem para quem está afim de comprar”, garante o zelador. Mesmo sem imóveis disponíveis no momento, os interessados em viver no local não desistem. “Todos os dias ligam pelo menos quatro pessoas perguntando se há alguma moradia vazia por aqui”, diz Camargo.
Quem não consegue uma casa próxima à faculdade tem de optar por um lugar que, ao menos, ofereça acesso mais fácil ao local de estudo. “Os lugares que ficam próximos aos corredores de ônibus são bastante populares, sobretudo entre os universitários que não possuem carro”, afirma Célio Pessan, diretor de uma imobiliária em Bauru.
A afirmação feita por ele é fácil de ser constatada no período de aulas, quando os pontos de circular instalados ao longo de grandes avenidas como Rodrigues Alves, Duque de Caxias e Nações Unidas costumam ficar abarrotados de jovens carregando pastas, livros e mochilas.
“Se for ver é até que é melhor, pois este lugar fica próximo a tudo na cidade: além de ser relativamente perto do Centro e do shopping, não é muito distante da faculdade”, diz a estudante Lindsay de Oliveira Barros, 22 anos, que cursa relações públicas na Unesp e vive, com mais cinco garotas, numa república localizada na Vila Universitária (próximo ao campus da USP).
Alguns jovens, inclusive, não querem nem ouvir falar de morar ao lado do lugar onde estudam. “O problema da Unesp, por exemplo, é que ela fica muito distante do Centro. Se você vai viver lá, fica perto da faculdade, mas longe do resto da cidade”, pensa a estudante de relações públicas Juliana Cristina Tancler, 25 anos, que está prestes a se mudar para um apartamento nas imediações do shopping.
____________________ Só com a roupa do corpo
Diana Calcidoni Moreira, 24 anos, é recém-formada em biologia pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e não quer nem saber de novas mudanças em sua vida. Ela veio para Bauru em 2004, meio que “no pulo”. “Antes eu estudava na Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), no campus de Araras”, recorda. Com pouco tempo de faculdade, Moreira teve a oportunidade de experimentar uma face nada agradável do educação brasileira.
“Começou uma greve que não tinha mais fim”, diz. Desiludida, ela resolveu trocar de faculdade. Moreira prestou vestibular na Unesp e acabou sendo aprovada. Só que surgiu um novo problema: logo que saiu o resultado, ela soube que precisaria se mudar para Bauru urgentemente, pois as aulas começariam dentro de poucos dias. “Vim correndo, só tinha a mala e a roupa do corpo”, relembra.
Na época com 20 anos, Moreira teria sofrido para encontrar um local para morar, não fosse o fato de o apart hotel onde ela vive (situado ao lado do campus da Unesp) não impor grandes entraves burocráticos na hora de alugar imóveis.
“Foi sorte, pois foi o primeiro lugar em que entrei para procurar vagas”, afirma. Hoje, mesmo depois de formada, ela não quer saber de sair do local. “Acabei me acostumando a morar aqui. Além disso, este lugar fica ao lado do meu serviço”, diz Moreira, que atualmente trabalha no Hospital Estadual.