08 de julho de 2026
Política

Blogs apontam problemas de Bauru

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Meio de comunicação democrático, a Internet oferece espaço ilimitado para as pessoas divulgarem seus pensamentos, críticas e sugestões. Especialmente nos diários on-line, os blogs. Se milhares de bauruenses mantém na Internet relatos sobre seus pensamentos, experiências e o dia-a-dia, mais de uma dezena de internautas da cidade utiliza o espaço virtual para criticar a administração municipal, destacar problemas do município e alertar sobre possíveis irregularidades.

Em uma pesquisa na Internet, o Jornal da Cidade encontrou ao menos 10 blogs que abrem espaço para a discussão dos problemas da cidade. Apenas dois deles informam o perfil do criador do blog. Enquanto o “Chinelo neles”, mantido pelo comerciante Antônio Pedroso Júnior, possui postagens diárias bastante críticas e ácidas aos administradores municipais, o “Vamos Bauru”, de Marcelo Ribeiro Moreno, destaca-se por ter a proposta de articular a população para resolver problemas da cidade. O restante são anônimos, ou publicados sob pseudônimos. Porém, a crítica aos problemas da cidade são constantes.

Pedroso Júnior, que também mantém um blog com “causos”, garante que é o tipo de pessoa que põe a cara a bater. Antes do blog, iniciado em novembro do ano passado, ele mantinha um site. “Mas é complicado. Tinha que ter uma pessoa para ficar atualizando. Blog é mais fácil. Eu mesmo fiz e atualizo rapidinho”, avalia. Montar um blog é simples. Os próprios sites que oferecem o espaço possuem ferramentas passo-a-passo de como criar o seu diário virtual.

O comerciante conta que a idéia de manter um diário na Internet nasceu na mesa de um bar, depois que foi criticado por viajar constantemente e não ter condições de apontar os problemas de Bauru. “Quando comecei, foi para provar que mesmo viajando, eu sei o que acontece na cidade”, lembra.

Ele afirma que diariamente o blog é visitado por mais de cem pessoas e que não aceita nenhum comentário anônimo. “Só de pessoas que eu conheço e sei que possuem conhecimento de causa”, conta. De acordo com ele, o tom ácido de suas postagens se deve à falta de ação do executivo. “Montei o blog para tentar acordar o prefeito”, conta.

Para o professor da Universidade do Sagrado Coração (USC), Sandro Paveloski, mestre em comunicação midiática, os blogs são instrumentos de liberdade na Internet. A questão do anonimato dos comentários e dos criadores das páginas ainda é motivo de muita discussão. “A ética que se aplica no mundo virtual é muito diferente”, avalia. O professor ressalta que dentro desse meio, o internauta pode ser outro, criar e-mails e personalidades falsas. “A tecnologia permite isso”, observa.

De acordo com Paveloski, a força dos blogs políticos no Brasil ainda é discutível. “O blog é uma versão eletrônica dos balões de ensaio, ou substituindo o grupo dos leva-e-traz”, analisa. O número reduzido de leitores on-line também é um dos motivos da baixa audiência desse tipo de publicação. “No Brasil, a informação via Internet ainda pouco influencia, porque o acesso da população ainda é baixo. Ela é geradora de informação, porque rádios, TVs e jornais buscam dados nela para alimentar a população off-line”, avalia o professor.

Paveloski avalia que os blogs de Bauru ainda estão evoluindo. “O blog só começa a existir se tiver posts. Quando as pessoas passam a discutir as idéias, debatê-las. Sem isso, ele não atinge seu objetivo de comunicação livre”. Renato Cardoso, que há anos mantém um site de informações sobre Bauru na Internet, concorda. “Para um blog dar certo, precisa de divulgação. E esse pessoal ainda não tem um alto-falante”, observa.

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Anonimato

De acordo com o webdesigner Sérgio Francichini, não existe anonimato na Internet. “As menagens não assinadas podem ser identificadas pelo número do IP, que carrega o código numérico do computador que originou essa mensagem”, explica. Se o conteúdo dessa mensagem foi de ameaças a pessoa que se sentiu agredida, através de uma ação judicial, pode conseguir o endereço de onde se originou a mensagem com o provedor do serviço.

Para ele, apesar da facilidade de se criar um diário na Internet, o brasileiro ainda não se apropriou da ferramenta. “Acredito que seria muito mais produtivo se os blogs fossem utilizados para reunir as pessoas numa discussão para resolver problemas”, avalia.