08 de julho de 2026
Geral

Falta de instrumentos atrasa vôos

Thatiza Curuci
| Tempo de leitura: 3 min

Por causa da chuva que atingiu todo o Estado de São Paulo e a ausência de instrumentos de orientação para pousos e decolagens em condições meteorológicas adversas no novo aeroporto de Bauru, vôos chegaram e saíram com atraso de mais de uma hora ontem pela manhã. E justamente ontem, o primeiro dia que a Pantanal Linhas Aéreas operou no aeroporto, localizado na divisa de Bauru com Arealva e inaugurado em outubro do ano passado.

O instrumento denominado NDB, sigla de ‘No Direction Beacon’, conhecido também por rádio-farol, fornece ao piloto a direção correta para pouso e decolagem. O aeroporto do Aeroclube, onde a Pantanal operava até anteontem, possui o aparelho.

“As condições meteorológicas não estavam muito boas. A aeronave ficou sobrevoando durante algum tempo até que conseguiu pousar com segurança. Se tivesse o NDB (aparelho que auxilia na navegação), que é o que tem lá no Aeroclube, o pouso seria mais fácil”, garante o gerente de tráfego da Pantanal, Marcius Moreno.

No início da manhã, os passageiros da Pantanal que saíram de Bauru com destino ao aeroporto de Congonhas, em São Paulo, tiveram que aguardar pouco mais de uma hora para embarcar. O vôo previsto para às 6h55 só pode sair às 8h04. Isto porque a aeronave que vinha de Araçatuba não conseguia pousar em Bauru para o embarque dos passageiros.

O vôo da empresa que saiu de São Paulo e chegaria em Bauru às 9h15 atrasou duas horas. “Em São Paulo, o tráfego aéreo e o tempo chuvoso atrapalharam”, explica Moreno. A outra empresa que opera no aeroporto de Bauru, a Air Minas, também registrou atraso no vôo que saiu de Guarulhos e estava previsto para chegar a Bauru às 10h. Por conta do tempo chuvoso, a previsão de pouso em Bauru passou para as 12h.

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) já teria comprado o aparelho para auxiliar o piloto em pousos e decolagens em condições meteorológicas adversas, faltando apenas a instalação. A reportagem tentou confirmar a informação com a assessoria de imprensa da Anac, que não foi localizada. No novo aeroporto, a Pantanal manteve os mesmos horário de vôos diários que oferecia no Aeroclube. Em janeiro, foram reduzidos de 12 para seis devido à procura menor pelo serviço.

Desde a inauguração do novo aeroporto, a Pantanal resistia em transferir seus vôos para o complexo alegando falta de infra-estrutura na oferta de combustível e instrumentos de navegação. A mudança só se tornou viável frente à promessa do Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo (Daesp) de que os instrumentos e tanque de combustível no local seriam instalados até o último dia 28. A Pantanal está oferecendo transporte entre o Aeroclube de Bauru e o novo complexo, localizado a 25 quilômetros, na divisa do município com Arealva, como cortesia.

Primeira impressão

Mesmo com o atraso nos vôos pela manhã, os passageiros da Pantanal que estavam no primeiro vôo que desembarcou no aeroporto novo gostaram das instalações. “Fomos bem recepcionados e achei o aeroporto bonito”, disse o técnico em eletrônica Cassiano Ricardo Lopes. Ele veio a trabalho para Bauru e só retornará a São Paulo hoje.

Já a dona de casa Maria de Fátima Alves Santos chegou na cidade preocupada. Saiu de Aracaju, em Sergipe, anteontem e chegou a São Paulo com atraso. Ela viajaria anteontem mesmo para Bauru, mas não conseguiu passagem. Acabou viajando ontem de manhã. “Tinha consulta para meu filho marcada para às 6h de hoje (ontem) no Centrinho. Tomara que ele consiga ser consultado”, disse ao chegar em Bauru às 11h15.