Iacanga - Em um interrogatório de cerca de uma hora, o ex-prefeito de Iacanga Durvalino Afonso Ribeiro confirmou ao juiz Fábio Evangelista de Moura, da Comarca de São Simão, que negociou madeira ilegal com Antônio Valdeci Rodrigues Valentim, conhecido como Gaúcho, que extraia ilegalmente o produto da Estação Experimental de São Simão.
Durante o interrogatório, na última sexta-feira, Ribeiro caiu em contradição, conforme apurou o JC, ao afirmar que teria feito uma transação de R$ 11.250,00 e que, no final, teria pago R$ 11.500,00 para Valentim. No entanto, o processo criminal tem provas que o ex-prefeito efetuou pagamento de, no mínimo, R$ 27 mil a Valentim. Neste processo, Ribeiro é acusado de receptação (artigo 180) e formação de quadrilha (artigo 288).
De acordo com uma fonte do JC, Ribeiro relatou ao juiz que, ao longo de 2006, foram feitas 15 viagens por dois funcionários para buscar madeira na Estação Experimental, em São Simão. O transporte era feito em caminhão da madeireira do ex-prefeito, localizada em Iacanga (50 quilômetros de Bauru).
Ribeiro teria admitido ao juiz que Valentim não tinha perfil de sem-terra. O interrogatório demonstra que a relação entre Ribeiro e Valentim iria além do envolvimento comercial. O ex-prefeito disse ao juiz que Valentim construiu uma casa de 400 metros quadrados em São Simão num prazo de dois meses no ano passado.
No depoimento, Ribeiro dá detalhes da obra. Teria relatado que Valentim transformou uma moradia pequena em mansão ao reformá-la ao custo de, aproximadamente, R$ 50 mil. Inclusive, o imóvel estaria estimado hoje em R$ 120 mil.
Arma
Sobre a acusação de porte ilegal de arma de fogo, Ribeiro confirmou a entrega de uma arma solicitada por Velentim. No dia 12 de fevereiro, serão ouvidos pela Justiça o depoimento das testemunhas de acusação.
O JC fez contato ontem com o advogado Roberto Thompson Vaz Guimarães, que atua na defesa do ex-prefeito. Guimarães preferiu não comentar as acusações que pesam contra seu cliente. Ele se justificou argumentando que necessitaria da autorização de Ribeiro para falar.
O ex-prefeito de Iacanga está preso desde o dia 19 de dezembro do ano passado, quando policiais da Polícia Federal entraram em sua residência em Iacanga e levaram documentos. Também foi feita apreensão na madeireira. A ação policial foi denominada Operação Pinóquio envolvendo a PF com o Grupo de Atuação Especial Regional para Prevenção e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) de Ribeirão Preto, que representa o Ministério Público do Estado de São Paulo.
No processo criminal por receptação e formação de quadrilha, estão sendo acusados Durvalino Afonso Ribeiro, Antônio Valdeci Rodrigues Valentim, Otávio Moreira, Maria Terezinha Pires Moreira, Carlos Roberto Bertozi, Edson Roberto Conelian, Lourival Carmo do Nascimento, Edvaldo de Souza, Paulo Henrique Badan Fonseca e William Badan Fonseca de Souza. Pelo porte ilegal de arma, figuram como réus Durvalino Afonso Ribeiro e Antônio Valdeci Rodrigues Valentim.