O ano de 2006 foi especial para as cantoras-atrizes Negra Li, Quelynah, Cindy e Leilah Moreno. Há tempos, moças vindas de periferias de São Paulo não rendiam tanto assunto quanto as “antônias” do filme de Tata Amaral, “Antônia” (estréia prevista para 9 de fevereiro). Até então pouco conhecidas, elas se tornaram populares, graças à adaptação do filme para a série de TV homônima, exibida com sucesso pela Globo em novembro.
Aproveitando a exposição, Cindy, Leilah, Negra Li e Quelynah lançaram seus discos solo. Em nenhum deles, no entanto, havia faixas tão boas quanto as que aparecem no filme e na série de TV, reunidas agora no CD “Antônia”.
Embora formem um grupo somente na ficção, a trilha comprova o que mostram as telas: elas têm mais carisma juntas do que sozinhas - ainda que todas tenham bons momentos em seus discos individuais. Parte dessa liga se deve ao trabalho dos produtores Beto Villares (responsável pelo CD da cantora Céu), Parteum e Érico Theobaldo, o DJ Periférico. Misturando referências de música eletrônica, soul, funk, rap e r&b, eles fizeram um disco pop de qualidade, que deve agradar tanto aos fãs de rádios FM quanto às pessoas ligadas ao “underground” do rap e r&b.
O tema do filme e série “Antônia” (“oh, Antônia brilha/ Antônia sou eu/ Antônia é você”), composto pelas quatro, abre o álbum em versão remixada por Periférico, que destaca a voz das moças sobre uma base marcada por metais. Apesar do poderoso refrão de “Antônia”, a melhor música é “Flow”, com sua levada inspirada no rap e r&b e rimas bem feitas (“Vem com a gente nesse flow/ Viaje nesse som/ Da rua sim/ Da Brasilândia/ Vem com Antônia...”).
Outro destaque é o cover feito para “Killing me Softly with his Song”, canção famosa nas vozes de Roberta Flack e Lauryn Hill. A faixa é tema de uma das melhores cenas do filme (que não dá para contar sem estragar a surpresa). Nela, Leilah Moreno, Cindy e Negra Li mostram que podem ser tão boas divas quanto as norte-americanas.
A participação de Parteum, produtor que vem se destacando por seu trabalho com o rap, e de Periférico garantiu a inclusão de vários nomes talentosos do hip hop nacional, como o MC Kamau (“Tudo Nosso”), o grupo Z’África Brasil (“Falei”) e o rapper Slim Rimografia (“História de Amor”). De resto, como é comum em trilhas sonoras, há também músicas incidentais e falas de personagens, como a narração da garota Emília em “Fidivó”.
Com a possibilidade de elas voltarem à TV em 2007, na segunda temporada da série, as quatro ainda prometem render muito assunto.