08 de julho de 2026
Geral

Redução de custos pode transferir ala de infectologia para HB

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

O setor de infectologia do Hospital Manoel de Abreu, exceto a ala dos pacientes com tuberculose, pode ser transferido para o Hospital de Base (HB). A possibilidade é estudada pela Associação Hospitalar de Bauru (AHB) – mantenedora dos dois hospitais, além da Maternidade Santa Isabel.

A mudança, já dada como certa por parte dos funcionários, seria uma alternativa para à redução de custos. Segundo o presidente da associação, Joseph Saab, o Hospital Manoel de Abreu dispõe de 90 leitos, atualmente. Do total, 60 são reservados para o setor de oncologia, cujo funcionamento não será alterado.

O restante é reservado para pacientes com doenças infecto-contagiosas. Mas a ala de infectologia acolhe apenas 15 pacientes internados, aproximadamente. O pequeno número tem relação com o avanço nos tratamentos, na opinião de Saab. Ele cita, por exemplo, as pessoas infectadas com o vírus do HIV. Nos tempos de hoje, a maioria faz o tratamento em casa.

Já a ala mantida para atender portadores de tuberculose - com oito leitos - permanecerá no Manoel de Abreu, caso o estudo seja aprovado pela diretoria da AHB. Por tratar-se apenas de transferência de leitos, o caso não depende de anuência do Departamento Regional de Saúde 6 (DRS-6), explica o presidente da AHB. O DRS-6 tem a atribuição de fazer a gestão da rede de saúde regional.

DER-6

Já no caso de fechamento de leitos (como chegou a ser inclusive afirmado por funcionários a pacientes), o departamento deve ser comunicado com pelo menos 90 dias de antecedência, informa o diretor do DER-6, Carlos Alberto Macharelli. Ele soube do estudo realizado pela AHB ontem à tarde.

Mas parte dos trabalhadores do Manoel de Abreu recebeu a informação sobre a transferência (não estudo) no final da semana passada. Além de temerem eventuais demissões, demonstraram preocupação com a instalação de uma ala de infectologia no Hospital de Base, local onde até transplantes são realizados.

A disseminação de doenças, porém, é descartada, desde que os padrões de construção da nova ala sigam as exigências da Vigilância Sanitária, órgão que deverá aprovar as instalações no HB. A informação é do infectologista Marcelo Pesce, que desconhece a possibilidade de transferência da ala de um hospital para outro, até porque não integra o quadro funcional da AHB.

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Custos

A contenção de custos perseguida pela AHB não é uma resposta a débitos específicos, que eventualmente tenham fugido de controle, segundo o presidente da associação, Joseph Saab. “É só para fechar alguns ralos, como todos os hospitais estão fazendo”, explica – sem apresentar números.

As instituições que atendem usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), como a AHB, convivem com a dificuldade de serem remuneradas com base numa tabela desatualizada do Ministério de Saúde, ressalta o presidente da AHB. Em média, apenas 55% dos custos dos procedimentos realizados são cobertos.

Além dos SUS, a AHB atende vários convênios, situação que contribuiu com o controle do orçamento. Mas apesar das dificuldades, de acordo com Saab, caso a transferência seja confirmada, não haverá demissão de funcionários.