Lençóis Paulista - Foi para levar R$ 20,00 que um adolescente de 17 anos cometeu latrocínio, roubo seguido de morte, contra o ex-jogador de futebol e professor de educação física José Augusto Zimerman, 39 anos, em Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru). Segundo a Polícia Civil, esta foi a versão apresentada pelo menor que confessou ontem o crime, cometido na madrugada do último domingo.
As investigações prosseguem sob a responsabilidade do delegado assistente Marcos Jeferson da Silva. Para a polícia, o menor contou que cruzou com Zimerman saindo de uma festa de formatura no Lions Clube, na avenida Padre Salústio.
Em sua versão, o menor disse que o ex-jogador perguntou a ele se teria “farinha” - droga. “Ele disse (à vítima) que tinha, mas estava no Santa Cecília”, relata o investigador José Augusto Ollier. Os dois teriam se dirigido para o local do crime em um Gol, de propriedade do ex-jogador.
Conforme o policial, o adolescente falou que Zimerman estaria bêbado e teria subido duas vezes na calçada com o automóvel.
Em seu depoimento, o jovem de 17 anos contou que ao chegarem no local, ao invés do entorpecente, ele pegou no matagal uma arma.
De acordo com Ollier, o adolescente relatou que Zimerman reagiu e o jovem teria efetuado um único disparo, que atingiu o lado direito do rosto da vítima. Em seguida, o menor pegou a carteira do ex-jogador, jogou o revólver no mato e saiu correndo.
Reconstituição
Um grande aparato policial foi montado ontem para reconstituir o crime e tentar encontrar a arma. O menor indicou que o revólver calibre 38 teria sido jogado em um terreno na esquina da rua Ernesto Campanari com a rua Estefano Ghiroti, no bairro Santa Cecília, cenário do latrocínio.
A arma não foi localizada mesmo após o corte do mato por funcionários da Prefeitura de Lençóis.
Ontem, a polícia localizou no local apenas a carteira vazia, o coldre da arma e uma blusa com marcas de sangue, que teria sido utilizada pelo adolescente no dia do crime e que também foi jogada no mato.
“Ele falou que só havia R$ 20,00 que foram gastos, e não tinha nenhum tipo de documento”, salienta Ollier. Depois, segundo a polícia, o menor alegou ter jogado documentos em outro local, que se constatou ser de difícil acesso.
O menor esteve na delegacia anteontem, negou os fatos e foi liberado. Uma equipe de investigadores esteve, no final da manhã de ontem, na residência do adolescente. O pai teria dito que o filho relatou o crime à família e que ele falaria aos policiais.
Inicialmente, Zimerman e o menor não se conheciam conforme averiguado até o momento pela polícia. O adolescente residia com os pais no Jardim América, bairro de Lençóis. Em princípio, o jovem não tem envolvimento em outros crimes.
O delegado solicitou à Justiça a internação do menor na Fundação para o Bem-estar do Menor (Febem) como previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Ontem, ele foi transferido para a Delegacia da Infância e Juventude (Diju) de Bauru.
A equipe do Setor de Investigações Gerais (SIG) da delegacia de Lençóis continuará apurando a versão apresentada pelo adolescente, sob a coordenação do delegado Marcos Jeferson da Silva.
Outras diligências foram feitas ontem durante todo o dia para localizar a arma usada no crime. Até o fechamento desta edição, o revolver não havia sido localizado.
Participaram das operações de busca, a Polícia Militar (PM), policiais do SIG e uma equipe da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Bauru, que deu apoio às ações policiais em Lençóis ontem.
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PM desconfia da versão
O tenente da Polícia Militar (PM), Ricardo Orlandi Folkis, disse ontem ao JC que o adolescente relatou à PM ao ser abordado que teria matado José Augusto Zimerman a mando de uma outra pessoa. “Segundo consta, o menor foi lá e matou para cobrar uma ‘bronca’ entre o Zimerman e essa outra pessoa”, revela Folkis.
O tenente adianta que já há informações sobre quem seria o mandante do crime. “Vamos ver se a gente consegue localizar essa outra pessoa que seria um maior de idade”, finaliza.