10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Sobre os meios e fins da área do Aeroclube. Fiquemos atentos!


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Causa um pouco de estranheza a mobilização de alguns setores políticos e empresariais da cidade sobre o terreno onde funciona o Aeroclube de Bauru. Espero sinceramente que eu esteja enganado, mas a impressão é que o real interesse não se coaduna com o “bem comum” ou com a possibilidade de “saneamento de problemas financeiros da prefeitura”, como vem sendo divulgado nos discursos sobre o caso. Pode-se questionar o porquê de não se ter, então, uma mobilização semelhante e com as mesmas intenções sobre outras áreas. Da periferia, por exemplo.

Será que a referida área não poderia ser destinada, então, a um grande parque ou área de lazer abrangente para toda população? Fiquemos atentos, se as respostas forem dadas mais ou menos assim: “Mas a área é nobre, deve ser utilizada para grandes empreendimentos imobiliários... Claro, serão também construídas algumas praças com muito verde (ou muita grama?)... A prefeitura vende e usa o dinheiro em benefício do povo, para asfaltar as ruas, por exemplo”.

Afinal, que parcela da população realmente sairia ganhando com a possível retomada da área? Não sei porque, mas novamente me vem à mente um discurso bonito e bem articulado, mas contrário à prática social. Que essa área chamada de nobre onde hoje funciona o Aeroclube, que é pública, se retomada pela prefeitura, não se perca a preço de banana para poucos interesseiros de plantão, cujas intenções dizem respeito aos seus próprios bolsos. Enfim, que esse bem público não seja dilapidado. Ao passar por essa região no futuro, não me agradaria contemplar um amontoado de edifícios de “alta-classe” somente com poucos felizardos usufruindo um ex-local público e uma prefeitura ainda de cofres vazios, pois os problemas continuarão. Pra finalizar, fica uma outra pergunta e uma sugestão nela inserida: Por que não consultar a população? Ela sim é a maior interessada no assunto. Afinal, é um bem público.

Julio César Castilho Razera