No próximo dia 16 de abril, pesquisadores contratados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) começarão a percorrer a zona rural de Bauru, assim como dos outros 5.563 municípios do Brasil para fazer o censo agropecuário. A pesquisa rural vai verificar, entre outros itens, o trabalho realizado nas propriedades, a distribuição da terra, a produção, a mão-de-obra empregada, maquinário utilizado, defensivos agrícolas usados, disponibilidade de água e efetivo animal de cada propriedade agropecuária.
“Este censo é importante para aumentar e melhorar os dados dos governo sobre a estimativa da população e dos recursos, bem como a evasão de pessoas para estudar e em busca de empregos das cidades menores para as maiores”, explica Francisco Garrido Barcia, chefe da Unidade Estadual do IBGE em São Paulo.
Com esses dados, o IBGE poderá, segundo ele, orientar os proprietários rurais sobre o produto com melhor aceitação no mercado de determinada região e a melhor forma de investir os recursos. Essas informações ficam armazenadas no site do órgão e estarão disponíveis a qualquer interessado. No caso da contagem da população, o levantamento será mais simples: migração, sexo e idade. Apenas esses três quesitos serão levados em conta.
Neste ano, a contagem da população urbana será feita apenas em cidades com até 170 mil habitantes. Portanto, em Bauru o censo será apenas rural. No Estado de São Paulo, dos 645 municípios que serão recenseados no âmbito rural, 601 terão, também, a contagem de população urbana, segundo Barcia.
Ele explica que nas cidades de médio e pequeno porte será feita a contagem de população para subsidiar o Fundo de Participação dos Municípios (FPM), critério usado para divisão de recursos do governo federal com base no número de habitantes. Nestas cidades, há probabilidade do número de habitantes passar de uma faixa para outra. Municípios com 156 mil habitantes ou mais já têm o repasse máximo da verba do FPM e, portanto, não terão prejuízo com a não-realização da contagem de população.
O censo deste ano é uma espécie de complementação dos dados de pesquisas anteriores, como o censo demográfico realizado de dez em dez anos e pela última vez em 2000. Barcia pede que a população das áreas recenseadas atendam os pesquisadores do IBGE. “Não é preciso deixar os agentes entrar nas casas, mas não deixem de responder ao censo. Os dados são confidenciais e ajudam a cada cidadão econômica e socialmente”, ressalta.
A identificação dos recenseadores pode ser feita através dos coletes e crachás que eles vão portar. Ainda assim, se houver dúvida da idoneidade dos recenseadores, é possível confirmar a identidade do agente nas 100 agências do IBGE espalhadas pelo Estado, inclusive em Bauru. O telefone é 3214-1778.
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Tecnologia
A novidade do censo deste ano é o emprego de PDA, uma espécie de computador de mão nos modelos dos populares palm-tops. Os instrumentos têm formulários digitais que facilitam o trabalho dos recenseadores. “O censo desse ano vai ser muito mais rápido e descomplicado. A tecnologia empregada é uma revolução na forma de levantar dados”, salienta Mitsuo Ito, coordenador técnico do censo.
Ito explica que um item respondido determina ou elimina outro, o que deixa a execução do trabalho mais simples. O Brasil, segundo ele, através do IBGE, é pioneiro na utilização de PDA em censos. Esta é a primeira pesquisa recenseatória informatizada no mundo. A China, segundo Ito, já fechou convênio com o IBGE para a coleta eletrônica de dados do censo rural chinês em vias de ser realizado. A Argentina também tem interesse no emprego da técnica e já procurou o órgão.
“A inovação também está na forma de transmissão dos dados. O sistema para o envio da maior parte das informações será o ‘bluetooth’, que não necessita de cabos, apenas de uma linha telefônica”, diz Ito.