09 de julho de 2026
Nacional

Diretor de ‘Manda Bala’ afastou equipe de brasileiros de encontro com deputado

Por Silvana Arantes | Folhapress
| Tempo de leitura: 1 min

Premiada no Festival de Sundance, na semana passada, pela fotografia do documentário “Manda Bala”, sobre corrupção e violência no Brasil, Heloísa Passos pilotou a câmera em todas as entrevistas do filme, exceto uma: a do deputado Jader Barbalho (PMDB-PA), acusado de desvio de dinheiro público em sua gestão como ministro da Reforma e do Desenvolvimento Agrário (1987-88).

O diretor do filme, o norte-americano Jason Kohn, “achou que não deveria ter nenhum brasileiro na equipe”, conta Passos, e reuniu-se com o deputado acompanhado apenas de seu assistente, o também norte-americano Joe Frank. Passos acha que, de fato, os brasileiros ficam mais à vontade para dar depoimentos a um filme americano. “Tive a sensação de que ele (Jason Kohn) conseguiu depoimentos que talvez cineastas brasileiros não conseguissem”, diz.

Ao lado de Kohn, Passos ouviu um seqüestrador na periferia de São Paulo e teve a equipe recebida sem reservas por um cirurgião plástico que reconstitui orelhas de vítimas de seqüestro. “Acho que ele ficou seduzido pelo fato de ser um cineasta americano. Ficou muito disponível, sem querer entender exatamente que filme é esse”, afirma a fotógrafa.

“Manda Bala”, eleito melhor documentário em Sundance, dividiu opiniões dos brasileiros no festival. “Amigos meus viram defeitos e méritos no filme”, conta Passos. “Como fotógrafa, estou orgulhosa do filme. Acho que ele não cai no clichê. É um quebra-cabeças”, diz. De Utah, onde assistiu à estréia de “Manda Bala” no Festival de Sundance, Passos seguiu para o Recife, onde filma agora um documentário de Gabriel Mascaro e Marcelo Pedroso. Segundo ela, Kohn planeja exibir seu filme no Festival do Rio e na Mostra de São Paulo.