09 de julho de 2026
Internacional

Norah Jones critica Bush em novo CD

Por Da Redação | Com Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

A romântica “Thinking About You”, nas rádios há algumas semanas, pode enganar os mais apressados. Quase cinco anos depois de se tornar um fenômeno mundial, com mais de 30 milhões de álbuns vendidos e o sucesso de “Don’t Know Why”, Norah Jones já não é exatamente a mesma cantora doce com seu mix suave de pop, country, folk, soul e toques de jazz. “Not Too Late”, seu terceiro álbum, mantém a essência da fórmula, apoiando-se no estilo de arranjos intimistas e acústicos que marcaram os discos anteriores.

Mas quem prestar atenção às letras vai perceber que a garota tímida e frágil está amadurecendo. Pela primeira vez ela assina todas as canções, nove delas com parceiros. No material de divulgação, Jones diz que as sessões foram “divertidas, relaxadas e tranqüilas”, em grande parte porque a maioria das faixas foi gravada no estúdio dela e do baixista de sua banda, Lee Alexander, que co-produziu o álbum.

“Esse disco foi feito de forma bem diferente dos dois primeiros”, ela diz. “Para aqueles nós agendamos um estúdio por uma semana para gravar, e depois voltamos para mais uma semana alguns meses depois. Foi ótimo, mas havia sempre um prazo final, então tínhamos um tempo limitado. Para esse disco, não houve pressão, nenhum prazo. A Blue Note nem sabia dele; estávamos apenas fazendo aquilo por diversão e para ver o que sairia dali.”

Jones explica que muitas das sessões foram gravadas sem reflexão. “Tratou-se sobretudo de perguntar para amigos, ‘Ei, está na cidade essa noite? Ótimo. Venha pra cá’. Foi muito solto e envolveu em boa parte amigos e pessoas que os amigos recomendavam.”

O álbum começa com “Wish I Could” (parceria com o baixista e produtor Lee Alexander), uma valsa triste que delineia um caso de amor abortado pela guerra. “Ele era meu homem, mas eles não tomaram cuidado/ O mandaram para bem longe daqui”, lamenta Norah, vestindo as dores da amante de um soldado.

“Sinkin’ Soon” (afundando logo) é uma saborosa surpresa. Parece uma canção de cabaré, ao estilo de Kurt Weill, que Norah interpreta com a devida dose de sarcasmo, reforçada por um burlesco trombone com surdina. Impossível não se lembrar do furacão Katrina, que inundou a cidade de New Orleans, dois anos atrás, ao ouvi-la cantar “Fomos arrastados da margem/ Com um capitão que é orgulhoso demais para dizer/ Que perdeu o remo”.

Quem pensou no presidente George W. Bush acertou. Algumas faixas depois, Norah tira qualquer dúvida sobre o destinatário dos versos. Em “My Dear Country” (meu querido país), ela chama de “assustador” o dia da última eleição americana. E se refere ao reeleito como “aquele que odiamos”.

Jones diz que mesmo curtindo compor e cantar músicas românticas, ela vai além desse cenário. “Gosto de compor músicas que não sejam muito previsíveis, músicas com algo mais. E é difícil não ser influenciada pelos noticiários”, comenta a cantora.

Antes que os fãs também se assustem, pensando que ela possa virar um misto de Tracy Chapman e Sinéad O’Connor, é preciso dizer que “Not Too Late” inclui canções românticas. “Wake me up”, “Rosie’s Lullaby” e a faixa-título seguem a linha dos discos anteriores, embora outras, como “Broken” e “Sun Doesn’t Like You”, carreguem certa dose de amargura.

Já para quem se incomoda com a atitude “boa moça”, o country “Little Room” revela um viés sensual inédito. “Se acontecesse um incêndio/ Na certa nos queimaríamos/ Mas tudo bem pra mim porque/ Estaríamos mais juntos ainda”. Um pouco mais de fogo também faria bem aos próximos discos de Norah Jones.

“Not Too Late” sai no Brasil pela EMI em duas versões: apenas o CD ou um digipack com CD e um DVD, que inclui clipes de clipes “Thinking About You”, “Until the End” e “Sinkin’ Soon”, entrevista, ensaio ao vivo e making of.