08 de julho de 2026
Nacional

Mulheres ganham espaço em programas esportivos

Por Andrezza Capanema | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

As musas dos programas de esportes nunca estiveram tão movimentadas. As emissoras têm apostado cada vez mais em mulheres bonitas - que gostam e entendem do assunto - para comandar as atrações que têm grande parte da audiência formada por homens. Só por que são belas? Elas defendem que não.

“A mulher dá suavidade ao programa de esporte e acrescenta muito com as suas opiniões”, diz Renata Fan, 28 anos, a bola da vez. Eleita Miss Brasil 1999, a loira de 1,80 metro, nascida em Santo Ângelo, no Rio Grande do Sul, será a primeira representante do sexo feminino a comandar uma mesa-redonda de futebol na TV, o “Jogo Aberto”, que estréia segunda-feira na Band.

Ela é torcedora do Internacional e viu a paixão pelo clube gaúcho e a habilidade com que comentava sobre futebol no “Terceiro Tempo” e no “Debate Bola”, comandados por Milton Neves na Record, despertarem o interesse da concorrência. Renata, então, trocou de time, melhor dizendo, de emissora. “Quer coisa melhor que falar de futebol e ganhar por isso?”, fala, animada, sem declarar cifras (nos bastidores, no entanto, especula-se que seu salário pulou de R$ 15 mil para R$ 50 mil).

Renata começou a gostar de futebol na infância, acompanhando o pai às partidas do Inter. “Meu segredo de sucesso? Misturar a paixão da torcedora com a credibilidade da jornalista”, afirma ela, que é formada em direito e em jornalismo. Renata abandonou a Record, mas a emissora não ficou órfã de musas.

Carolina Soares, 27 anos, apresentadora do “Esporte Record”, é uma das atrações do telejornalismo esportivo do canal. Formada em rádio e TV e jornalismo, a morena de olhos verdes entrou em campo no SporTV, passou pela Band e pelo Band Sport e está no comando da produção há dois anos. O fato de ser sucesso no vídeo não impediu a paulistana do bairro de Santana de enfrentar preconceito em uma área que ainda é mais freqüentada pelos homens.

“É comum uma mulher fazer uma pergunta em uma entrevista e ter de encarar aquele olhar de ‘será que ela sabe o que está falando?’”, conta a jornalista. Carolina entrega também que tem de driblar o assédio dos atletas, que, até quem não é fã de esportes sabe, são sedutores. “Não dá para ficar saindo com um e com outro, não quero ficar com fama de maria-chuteira.” Com os fãs, jura, a relação não ultrapassa os limites da amizade. “É mais fácil um homem me parar na rua para perguntar se o Corinthians vai contratar um jogador do que me passar uma cantada”, afirma.

Débora Vilalba, 31 anos, ex-modelo - ela foi garota-propaganda de creme dental e de shampoo -, ex-SporTV e ex-“Globo Esporte”, também integra o time da Record. A morena pode ser vista aos sábados à frente do “Vídeo Gol”. Ela conta que não planejou integrar a equipe de belas do telejornalismo esportivo. “Eu era modelo, queria trabalhar na TV, e fui convidada para fazer um teste para substituir a Babi (Xavier) no ‘Erótica’ (MTV), em 1999. Fiquei entre as finalistas e fui chamada para trabalhar no SporTV. Não parei mais”, lembra.

Débora acredita que beleza é passaporte para comandar uma atração. “A televisão exige pessoas bonitas, isso não é exclusividade dos esportivos. Mas não adianta ter beleza e não trabalhar direito.”

Como todo time de respeito, o das belas conta com uma revelação. A manhã de domingo na Globo tem a presença de Cristiane Dias, 26 anos, desde o mês passado, como titular do programa “Esporte Espetacular”. Recém-chegada ao grupo, ela não se incomoda com o título de musa. “(no começo) As pessoas podem pensar: ‘Ah, ela só está lá porque é bonitinha’, mas quando começam a ver você como a menina que entende do que fala, que não é só uma bonequinha, a sensação é compensadora. Então, o rótulo de musa acaba sendo uma massagem no ego.” Certamente essa equipe provoca inveja em muitos técnicos, independentemente do esporte que atuam!