As famílias brasileiras estão gastando mais do que podem com transporte, telefonia e saúde. Isso porque o custo desses itens aumentou consideravelmente nos últimos 12 anos. Para piorar a situação, os impostos sobre a renda do trabalhador também cresceram. E o resultado tem sido o endividamento dessas famílias.De acordo com o economista Reinaldo Cafeo, o custo do transporte sofreu reajuste de 64%; da assistência à saúde de 50%; e da comunicação de 72%.
“Para compensar essa elevação, as famílias diminuíram as despesas com alimentação em até 40%. Aquelas que não fizeram isso, tentando readequar o orçamento, ou se endividaram ou perderam patrimônio”, ressalta.
Segundo o economista, essa contenção também resultou na perda da qualidade da cesta de alimentos do brasileiro. “As famílias passaram a comprar produtos alternativos, que são mais baratos e nem sempre têm qualidade”, acrescenta.
No caso do transporte, apesar de ter ficado mais caro, Cafeo destaca que as famílias não abriram mão do recurso. Na opinião dele, isso ocorreu por conta da violência urbana e da distância entre o trabalho e a casa das pessoas. “Esses fatores inibiram a redução do transporte no orçamento familiar. O receio, principalmente, com a insegurança, pesou”.
Na área da saúde, os investimentos também ficaram maiores. Conforme o economista, essa tendência foi motivada pela alta dos medicamentos, pelo reenquadramento dos planos de saúde em faixas etárias, o que tornou o produto mais caro, e pela ineficiência dos serviços públicos de saúde, que motivou muitas pessoas a recorrer ao sistema privado.
No segmento da comunicação, a telefonia celular tem contribuído substancialmente para onerar ainda mais o orçamento das famílias. “As pessoas compram o aparelho, mas não têm condições de manter a linha, seja pós ou pré-paga. Isso resulta em dívida ou na perda do recurso”, constata o economista.
Sondagem
O brasileiro gasta mal o dinheiro que ganha, avalia o economista. E a falta de planejamento e controle do orçamento, aliada ao uso desregrado do crédito, têm levado famílias ao endividamento.
A pesquisa “Sondagem do comportamento dos gastos e renda do brasileiro”, realizado em Bauru pelo economista Reinaldo Cafeo, constatou que, se as famílias usassem melhor o orçamento mensal, teriam uma vida financeira mais equilibrado.
O estudo acompanhou as finanças de 30 famílias, com rendas de R$ 600,00 e R$ 2 mil, entre setembro e dezembro de 2006.
O resultado, segundo Cafeo, apontou que as famílias de renda menor gastam 8,4% a mais da quantia que poderiam com consumo. Entre os itens que mais corroem o orçamento destacam-se a alimentação e a habitação, considerando-se gastos com aluguel e manutenção da casa.