Apesar de nem sempre ser das mais carinhosas, a relação entre seres humanos e animais domésticas talvez seja a mais bem sucedida de toda a história. Sim, pois nenhuma outra tem sido tão forte nem tão duradoura no decorrer dos tempos.
A convivência entre cachorros e pessoas é a mais antiga de todas e data da pré-história. Acredita-se que, naquele período, ancestrais do cão moderno (provavelmente o lobo) costumavam acompanhar de perto as caçadas humanas, na tentativa de conseguir parte da presa.
Por volta de 10 mil anos atrás, essa rivalidade acabou se transformando em cooperação. Os laços se tornaram tão fortes que o ser humano foi capaz até de especializar as raças do animal nas mais variadas funções: guarda, caça, tração ou mesmo guia para cegos.
Atualmente nenhuma outra espécie, nem mesmo o gato, é tão próxima do homem. Domesticados provavelmente no antigo Egito, há mais de 4.000 anos, os “bichanos” nunca chegaram a criar uma grande intimidade com a espécie humana.
“O cão interpreta as pessoas do lugar onde vive como membros de sua matilha”, explica a veterinária Rita de Cássia Garcia. Isto equivale a dizer que os cachorros tratam os seres humanos como “gente da família”.
O problema é que mesmo as relações mais afetuosas costumam ser atingidas por brigas. No caso específico da amizade entre seres humanos e cães, praticamente todos os desentendimentos costumam ser provocados pelo bicho homem. “As pessoas não percebem que os animais, assim como nós, têm sentimentos e sentem dor. Pensam que cachorros, gatos e outros bichos são como objetos, que podem ser descartados a qualquer momento, sem mais nem menos”, critica Garcia.