Dar fim a um bicho de estimação não deve ser uma experiência das mais agradáveis. A convivência diária faz com que alguns donos fiquem bastante apegados aos animais. O problema é que muitas vezes a separação acaba sendo praticamente inevitável.
Atualmente em Bauru a leishmaniose é um mal contra o qual ninguém tem armas eficazes para lutar. Qualquer cão está sujeito a ser contaminado pela doença. Para tristeza dos proprietários, quando um animal é infectado por uma zoonose grave, precisa ser sacrificado para evitar que a doença se espalhe entre os seres humanos.
A medida drástica não costuma agradar a todo mundo. No caso da leishmaniose, alguns donos preferem apelar para o tratamento, na esperança de salvar a vida de seus cães. Marcos Antônio Silvério é um dos poucos veterinários de Bauru que oferecem a terapia como opção aos pacientes.
“Essa é uma alternativa para aqueles que não querem se separar de seus cães”, explica ele. As normas para o tratamento são rigorosas. “Primeiro o proprietário tem demonstrar que irá assumir o animal integralmente, pois quando um cachorro tem leishmaniose precisa ser acompanhado pelo resto da vida. Além disso, a terapia tem um custo elevado”, explica.
São necessárias três visitas anuais ao veterinário, no mínimo, isso sem contar os medicamentos, que possui em alto grau de toxicidade. “Além disso, ninguém pode garantir que o animal irá ficar de fato curado”, ressalta Silvério.
O tratamento prevê algumas medidas para evitar que o paciente coloque em risco a saúde das pessoas e dos cães que vivem à volta. “Quando chega o entardecer o cachorro tem de permanecer dentro de um canil cercado por tela e permanecer lá até a manhã seguinte. Isso impede que ele seja novamente picado pelo mosquito palha”, diz Silvério. O inseto costuma se alimentar no final da tarde e nas primeiras horas da noite.
O cães ainda precisam usar uma coleira contendo repelente para insetos. O veterinário garante que o tratamento é feito de acordo com os procedimentos legais. “Todos os casos em atendimento são notificados à Vigilância Sanitária, como determina a lei”, afirma.