08 de julho de 2026
Bairros

O corredor da morte

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 1 min

O menor dos prédios do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Bauru talvez seja também o mais sinistro de toda a cidade. Por traz das paredes brancas do imóvel está o local onde animais abandonados ou portadores de zoonoses graves são submetidos à eutanásia.

São instalações simples - duas salas com aparência de consultório médico e uma dúzia de jaulas -, mas muito limpas. Na última terça-feira, apenas seis celas estavam ocupadas. Todos os animais ali presentes, à espera do sacrifício, aparentavam portar algum tipo de enfermidade grave.

“Este aqui está com leishmaniose. O próprio dono o trouxe até aqui para morrer”, explica o chefe da seção de controle de zoonoses, Luiz Ricardo Paes de Barros Cortez. Ele é veterinário e fica visivelmente constrangido ao mostrar as instalações do local.

“Olha o estado daquele ali”, diz, de repente. Mesmo acostumado a conviver com cães maltrapilhos, Cortez se espanta com o estado de um animal que mal consegue abrir os olhos. “Rejeitado pelo dono”, lê, no relatório.

Dentro de alguns dias, todos estarão mortos. É impossível não tecer uma analogia entre o local ao corredor da morte (espaço destinado nos presídios norte-americanos aos condenados a penas capitais). “Na verdade, lembra um pouco”, ri Cortez, meio sem jeito. Por irônico que possa parecer, há alguns anos, o local onde os cães são sacrificados era usado como canil pela União Internacional Protetora dos Animais (UIPA).