08 de julho de 2026
Bairros

Voluntária chegou a abrigar 40 cães

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 2 min

Eles amam os bichos e estão dispostos a tudo pela felicidade das indefesas criaturas. Os protetores dos animais são capazes até de transformar a casa em canil para abrigar aqueles que não têm onde morar.

A historiadora Ana Sônia de Oliveira, 38 anos, é benfeitora de longa data dos animais. Ela vive na Vila Cardia e tem oito cães, todos recolhidos em alguma situação de risco. No passado ela costumava ter uma dedicação maior aos bichos.

Não que tenha deixado de amá-los, muito pelo contrário. Oliveira defende os cães com afinco. Ultimamente ela anda revoltada pelo fato de as autoridades sanitárias do município afirmarem que os caninos são hospedeiros do protozoário causador da leishmaniose - e de fato o são. “Isso é uma mentira, a prefeitura quer jogar a culpa no cachorros. O problema é esse monte de lixo espalhado pelas ruas da cidade”, argumenta.

No passado, porém, Oliveira tinha mania de sair pelas ruas recolhendo cães abandonados. “Não sei o que se passava em minha cabeça. Eu via um bicho atropelado ou esfomeado, e pronto, já queria levar para casa”, recorda.

Naquele tempo, a historiadora ainda vivia no Altos da Cidade e a fama de benfeitora acabou se espalhando por Bauru. “De repente começou a aparecer um monte de bicho em frente ao meu portão. Todo mundo resolveu soltar cachorros em meu quintal, esperando que eu cuidasse”, diz.

Em pouco tempo, a residência passou a contar com cerca de 40 cães. “Nem lembro quantos sacos de ração eles comiam ao dia. Sei que eram muitos. Chegou num ponto em que eu estava gastando tudo o que tinha para manter os animais. Entrei no cheque especial, fiz empréstimos, mas nada disso adiantou”, relembra.

Oliveira teve de vender um automóvel Fiat Uno para se livrar das dívidas. Por fim, ela se viu obrigada a se desfazer da matilha. “Doei os filhotes e mantive os mais velhos, pois ninguém quer saber de adotá-los”, explica.

Ela garante que nunca mais irá pegar cães para criar. “Não tenho condições financeiras. Aliás, eu nem deveria ter começado a recolher os bichos. Membros das entidades de defesa dos animais até tentaram me alertar: ‘Ana, você vai se arrepender amargamente...’ Mas preferi não dar ouvidos”, recorda.