09 de julho de 2026
Bairros

Estudo relaciona crueldade com animais à violência contra humanos

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 2 min

Perversidade com animais e violência contra seres humanos podem ter as mesmas causas. Levantamento que vem sendo realizado há mais de dez anos pelo FBI (a polícia federal dos Estados Unidos) indica que a maioria das pessoas que praticam crueldades com bichos costuma repetir esse comportamento agressivo em relação aos seres humanos.

Em 1997, por exemplo, os responsáveis pelo estudo analisaram o histórico de 157 assassinos em série (os famosos serial killers). Os pesquisadores constataram que 98% dos homicidas em questão haviam praticado algum tipo de crueldade contra animais antes de se tornarem criminosos.

“Ninguém nasce serial killer. Isso é um comportamento que é adquirido com o passar do tempo. Muitas vezes a criança maltrata um cão e a família nem dá importância. Eles não percebem que nesse gesto perverso pode estar a semente de um criminoso em potencial”, acredita a médica veterinária Rita de Cássia Garcia, que se aprofundou nos estudos feitos pelos pesquisadores norte-americanos.

Segundo ela, o comportamento cruel com relação aos bichos está ligado a diversos tipos de crimes. A violência doméstica, por exemplo, andaria de mãos dadas com a perversidade contra animais.

“Às vezes, as autoridades recebem denúncias de maus-tratos contra cães e gatos. Quando vai se investigar a fundo esses casos, descobre-se que idosos, crianças e mulheres também estão sendo vítimas de agressões”, afirma.

Na visão de Garcia, “uma casa onde animais sofrem violência, seres humanos vivem sob estado constante de risco”. Ela é membro de uma Organização Não-Governamental (ONG) sediada em São Paulo, o Instituto Ana Rosa.

A entidade promove trabalhos de conscientização sobre a importância de se proteger os animais. “Se uma criança aprende a tratar bem de um cachorro, irá levar esses valores para os resto da vida e, quando for adulta, ela saberá valorizar toda forma de vida existente”, crê.

De acordo com a veterinária, há relatos de trabalhos semelhantes desenvolvidos por uma escola em uma comunidade carente da África do Sul. “Meses depois de iniciado o projeto, os índices de violência do local caíram de forma considerável”, garante.