08 de julho de 2026
RH & Tendências

Melhoria contínua


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Desperdício de intuição

Existe um dito popular que aprecio muito: “Nascemos com os olhos fechados e a boca aberta, e o processo da vida visa inverter isso”. Olhos mais abertos significam ampliar a visão, que tem a ver com a compreensão das lógicas da vida. Boca fechada significa aprender a controlar a língua, que de propósito veio escondida atrás de dois paredões, os dentes e os lábios, para não gerar problemas desnecessários.

Entretanto, para se conseguir essa visão completa da vida é necessário a utilização de todos os sentidos humanos com muita eficácia. Não bastam o ouvir, o cheirar, o falar, o ver e o tatear. São insuficientes. A vida apresenta muitas variáveis. Não são fáceis as compreensões de si, do outro com suas diferenças, das instituições, do mercado, das tendências, do mundo. A intuição se faz necessária para uma percepção completa.

A intuição é o resultado dos conhecimentos adquiridos através de diversas experiências, que brota à mente de forma espontânea, sem a contribuição de outra pessoa, pois tais conhecimentos pertencem ao universo peculiar do ser.

Em outras palavras, é o ato de ver, perceber ou pressentir a verdade, normalmente sem utilizar a razão. Para escutar a intuição são necessárias as tranqüilidades mental e emocional, contrário ao que se vê na maior parte das empresas aceleradas, que são assim por não terem um bom planejamento ou por serem dirigidas por alguém com muito medo do futuro desconhecido.

T. Harv Eker, autor do livro “Os segredos da mente milionária”, afirma que as coisas que não vemos são muito mais poderosas do que as que vemos, bem como é o invisível que produz o visível. E justifica: “Imagine uma árvore com frutos. São as sementes e as raízes que os geram. É o que está embaixo da terra que cria o que está em cima dela”. Da mesma forma não vemos a eletricidade, que são elétrons em movimento ordenado, as células em nosso corpo, nem as ondas eletromagnéticas de rádio e televisão. A intuição é invisível.

Considerando isso, já chegou à hora das empresas organizarem seus grupos de intuição, logicamente com pessoas de percepção mais apurada, para auxiliarem a liderança da organização nas grandes decisões, bem como traçarem oportunidades e ameaças futuras. Nesse cenário que as empresas vivenciam, considerando as mudanças rápidas dos funcionários, clientes e concorrentes agressivos, não se pode desprezar a riqueza da intuição, dada gratuitamente pela natureza.

Mas, infelizmente, quase tudo que é gratuito não é valorizado. As intuições surgem, mas as organizações não têm mecanismos para aproveitá-las. As empresas são verdadeiras minas de ouro, tais são os seus desperdícios. Toda empresa tem que pensar, sentir, ouvir a intuição e agir. Se pular uma dessas etapas, os riscos de erro aumentam sensivelmente. Talvez seja por isso que é muito fácil encontrar empresas competentes e inteligentes caminhando com entusiasmo no sentido errado. A utilização correta dos sentidos mostra o sentido correto. Pensem nisso!

Davison de Lucas é diretor da M.Davison & associados, consultor organizacional e palestrante.